Que tal morrer e "virar" uma árvore?

Conheça o projeto que quer transformar o caixão em uma cápsula sustentável e o cemitério em um verdadeiro parque

por João Paulo Martins 12/06/2015 12:32

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Facebook/Capsula Mundi/Reprodução
Que tal ser enterrado e, ao invés de um jazigo, ser representado por uma frondosa árvore? (foto: Facebook/Capsula Mundi/Reprodução)
Quando se fala de morte, velório ou enterro, é fácil perceber porquê esses temas são verdadeiros tabus. Poucas pessoas se sentem bem em tratar da única certeza que se tem na vida. Mas, quando chega a hora e se tem de organizar o sepultamento de um ente querido, é preciso tomar diversas ações, incluindo a escolha do caixão. O que você acha se, ao invés do "caixote de madeira", fosse possível transformar o enterro em "plantio de árvore"?

Essa é a ideia do projeto Capsula Mundi, dos designers italianos Raoul Bretzel e Anna Citelli. Quando se encontraram na tradicional feira de móveis e decoração de Milão, na Itália, em 2001, se questionaram sobre qual marca um designer pode deixar na sociedade, e decidiram fugir da ideia de que o design é algo que se abastece num sistema auto-referencial, e que, frequentemente, termina num "objeto brilhante". "Partindo desse princípio, decidimos que nosso trabalho seguinte seria algo perturbador, que as pessoas tratam como tabu: um caixão", conta a dupla.

Capsulamundi.it/Reprodução
Anna Citelli e Raoul Bretzel posam junto de um exemplar da Capsula Mundi (foto: Capsulamundi.it/Reprodução)
Capsulamundi.it/Reprodução
Ilustração mostra como seria o 'ciclo da vida' após o enterro, usando o Capsula Mundi: da semente com o 'embrião' (cadáver), surge uma árvore (foto: Capsulamundi.it/Reprodução)
Mas, para eles, o "pijama de madeira" não é da forma como conhecemos. O Capsula Mundi é uma espécie de cápsula, feita em amido plástico, em que a pessoa é colocada na posição fetal e enterrada como se fosse uma semente. Na parte de cima do envólucro existe uma semente de árvore, que é escolhida previamente pela pessoa ou pela família. "A árvore é um símbolo da união entre o céu e a terra. E a comunidade se encarregará de cuidar da planta, permitindo que ela cresça", dizem os designers.

De acordo com Raoul e Anna, o projeto traz um novo significado para a morte, ou seja, deixa de ser a interrupção da vida para se tornar uma série de transformações que nos levam de volta para o ciclo da natureza. "Nós acreditamos que, da mesma forma em que somos livres para escolher nosso caminho na vida, podemos escolher como será nosso fim", comentam.

Eles fazem questão de lembrar que em muitos países não é permitido que o enterro seja feito em receptáculos diferentes do caixão, e que é preciso, primeiro, mudar as leis para que os cemitérios deixem de ser um lugar triste e sombrio. Com relação ao custo do Capsula Mundi, Raoul Bretzel e Anna Citelli explicam que, até agora, só produziram urnas para conter cinzas de pessoas cremadas, mas que estão fazendo testes para que, em breve, possam apresentar ao público a cápsula árvore para sepultamento.

Últimas notícias

Comentários