Projeto de lei quer transformar o rodeio em patrimônio cultural do Brasil

Autor da proposta garante que ela será aprovada mesmo com as críticas dos ativistas, que reclamam de maus-tratos contra os animais

por Vinícius Andrade 08/07/2015 17:55

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Ativistas em prol dos animais reclamam que os bois sofrem maus-tratos durante o rodeio. Para autor do projeto que quer transformar essa prática em patrimônio, isso não procede (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
As influências sertanejas ainda estão presentes em boa parte do Brasil, até mesmo nos grandes centros urbanos. Se você nunca foi a um rodeio, certamente já ouviu falar desse tradicional evento que sempre desperta muita polêmica. Desta vez, o debate diz respeito a um projeto de lei que pretende elevar o rodeio à condição de patrimônio cultural imaterial do Brasil.

Segundo o autor da proposta, deputado federal Capitão Augusto (PR-SP), grupos de ativistas têm tentado acabar com essa prática no país, por considerá-la uma afronta aos animais. "Os touros são mais bem tratados do que gente. São veterinários 'tops', alimentação 'top', e os animais nunca vão para o abate. A única forma de acabar com esse ataque de ativistas, é incluir o rodeio como patrimônio cultural brasileiro", justifica o parlamentar.

Estima-se que existam mais de dois mil rodeios regulares em todas as regiões do Brasil. O público pagante aproxima-se de 24 milhões ao ano – número superior em relação aos estádios de futebol, por exemplo. Questionado sobre a aprovação da proposta, o deputado está confiante que o projeto será aceito. "Sem dúvida nenhuma, o rodeio será incluído como patrimônio cultural", garante Capitão Augusto.

A proposta considera patrimônio cultural imaterial as montarias, as provas de laço, as de rédeas, dos três tambores, de apartação, bulldog, as vaquejadas, as paleteadas e outras provas  típicas, como queima do alho e concurso do berrante.

Contraponto

O projeto de lei está revoltando ativistas. De acordo com Adriana Araújo, integrante do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, o rodeio é a maior oposição dos cidadãos que atuam em defesa dos bichos. "É a colocação do touro na arena contra a vontade dele. Ainda se cria um ambiente com foguetórios, e objetos que são usados para fazer o animal pular. Quem possui o mínimo de consciência não concorda com rodeio", diz a ativista.

Em algumas cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais o rodeio já foi proibido, devido a denúncias de maus-tratos contra os animais. "O despertar da consciência em relação ao sofrimento dos animais é crescente. É um caminho sem volta", completa Adriana.

O deputado Capitão Augusto não se sente incomodado com as críticas em relação ao projeto de lei. "Minha preocupação não é com minha imagem, e sim,  com a justiça. Sempre haverá gente do contra", critica o parlamentar.

André Monteiro/Divulgação
A Festa do Peão de Barretos está celebrando 60 anos e se consolidou como um mega evento do interior de São Paulo (foto: André Monteiro/Divulgação)


Histórico

Impossível falar de rodeio sem citar Barretos. A cidade paulista sedia um dos maiores eventos da modalidade no mundo, recebendo quase um milhão de visitas todos os anos, com turistas de várias partes do país e do mundo. Este ano, a festa do peão completa 60 anos.

O início do rodeio no país confunde-se com a implantação do primeiro frigorífico da América Latina, em Barretos, no início do século passado. Grande parte das boiadas do Brasil era conduzida à cidade paulista por uma equipe de peões de boiadeiros.

Ao chegar nos arredores do município, a comitiva precisava esperar alguns dias até a entrega do gado ao frigorífico. Nesse tempo, era comum acontecer desafios entre os peões e os animais, como forma de diversão.

O lazer foi ganhando notoriedade até se transformar em um mega evento. O primeiro rodeio que se tem notícia no Brasil aconteceu em 1947, realizado pela própria prefeitura de Barretos.

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