Será que o flúor na água pode fazer mal?

Substância é muito utilizada para combater doenças bucais, como a cárie. Mas também é alvo de polêmicas. Entenda a questão

por Marcelo Fraga 17/07/2015 08:35

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Você sabe qual é a quantidade ideal de flúor na água para que não passe a ser um problema de saúde? (foto: Pixabay)
Desde pequenos, ainda na escola, aprendemos que o flúor é importante para a saúde, principalmente para manter os dentes livres das temidas cáries. A substância é famosa por fazer parte da composição dos cremes dentais, mas está também na água que bebemos e, por isso, se tornou o assunto de pesquisas científicas que relacionam o flúor a algumas doenças. Seja na pasta de dente ou na água, será que ele pode trazer prejuízos à saúde?

A ideia de utilizar o flúor na água surgiu no ano de 1945, nos Estados Unidos e no Canadá. À época, pesquisadores conseguiram comprovar que a ação era capaz de reduzir em até 50% o aparecimento de cáries. Com isso, o método passou a ser recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, consequentemente, por outros órgãos.

Desde então, várias pesquisas seguem a lógica inversa, ou seja, que a prática de adicionar flúor à agua pode ser perigosa para a saúde humana. Em 1977, um estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos alertou que o consumo de flúor poderia deformar ossos e dentes, além de deixá-los frágeis. Quase 30 anos depois, em 2003, uma petição internacional com mais de 300 assinaturas de especialistas, como cientistas e químicos, de diversas nacionalidades, pedia que fosse revista a questão da fluoração da água e sua relação com a saúde humana.

Fluorose

A doença mais comum associada à ingestão deliberada de flúor é a fluorose, que afeta os dentes. Segundo Isabela Pordeus, professora da faculdade de Ortodontia e Odontopediatria da UFMG, os seres humanos são afetados pela fluorose quando crianças, até os 5 anos de idade. "A alta ingestão de flúor afeta a arcada dentária quando ela ainda está em formação. A doença pode causar desde manchas brancas até a má formação dos dentes", explica. Ainda de acordo com a especialista, em casos raros, a fluorose pode ser aguda ou crônica, causando anomalias na dentição. Porém, a mais comum é a do tipo branda, quando surgem apenas manchas brancas nos dentes, que têm apenas efeito estético.

Lookfordiagnosis.com/Reprodução
A fluorose, causada pelo excesso de flúor no organismo, afeta crianças e pode causar de manchas brancas nos dentes a enfraquecimento da arcada dentária (foto: Lookfordiagnosis.com/Reprodução)


Níveis seguros

Após o protesto dos cientistas, em 2003, estudos concluíram que, o máximo de flúor que a água pode conter, sem causar prejuízos à saúde, é de 1 miligrama por litro (mg/l). No Brasil, quem determina a quantidade de flúor adicionada à água é o Ministério da Saúde, baseado nas diretrizes propostas pela OMS.

Em Minas Gerais, a Copasa – empresa responsável pelo tratamento e distribuição da água na maior parte do estado – diz que a água que os mineiros consomem, possui entre 0,65 e 0,75 mg/l de flúor. "Essa quantidade pode variar de acordo com a região. Em áreas mais frias, onde as pessoas bebem menos água, os níveis são maiores. Já em locais mais quentes, onde o consumo é maior, o nível de fluór é menor", explica Arlindo Nunes, analista de Desenvolvimento Tecnológico da empresa.

De acordo com as informações da Copasa, a água que bebemos possui quantidade de flúor considerada segura. Porém, além da água, temos contato com flúor também quando escovamos dentes, afinal, ele faz parte da composição dos cremes dentais. Seria, então, essa combinação perigosa?

A professora Isabela Pordeus esclarece que o flúor consumido tanto na água, quanto nos produtos bucais é fundamental para a saúde, mas alguns cuidados devem ser tomados, principalmente com as crianças, que são suscetíveis à fluorose. "É por isso que existem cremes dentais especiais, sem flúor ou com níveis muito baixos, que são específicos para as crianças", lembra a especialista.

Para os adultos, que não são afetados pela doença, mas podem sofrer com outros problemas relacionados ao alto consumo de flúor, a odontologista diz que a principal recomendação é quanto à quantidade de pasta de dente colocada na escova: "Não é necessário preencher todas as cerdas da escova com o creme dental, porque o produto se espalha satisfatoriamente durante a escovação. Na dúvida, o ideal é que as pessoas consultem um dentista".

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