Uso indiscriminado de anticoncepcionais pode ser um perigo

As mulheres devem consultar o médico antes de optar pelo uso da pílula contraceptiva, já que algumas podem causar efeitos colaterais que vão de enjoo a trombose

por Da redação com assessorias 22/07/2015 11:44

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Hormonalharmony.co.uk/Reprodução
Como explica o especialista, nem todas as mulheres podem utilizar pílulas anticoncepcionais como método contraceptivo (foto: Hormonalharmony.co.uk/Reprodução)
Descoberta por acaso e lançada no mercado farmacêutico há 55 anos, a primeira pílula anticoncepcional, chamada Enovid-R, causou uma grande mudança em padrões de comportamento de mulheres e homens, além de ser um marco importante para o sucesso da revolução sexual feminina. Considerado o método contraceptivo mais utilizado pelas mulheres, a pílula tem taxa de eficácia em torno de 99% e, além de impedir a gravidez, também é benéfica em outras situações, amenizando a dismenorreia (cólica menstrual), menorragia (excesso de menstruação), TPM (tensão pré-menstrual), cistos no ovário, entre outros sintomas.

Apesar de ser uma droga segura e em uso há muitas décadas, existem, contudo, contraindicações e possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso do anticoncepcional quando feito sem orientação médica. Segundo o ginecologista Luiz Fernando Leite, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, é fundamental consultar um especialista para descartar qualquer risco frente ao uso de anticoncepcionais. "Antes de começar o tratamento com pílulas, visitar um médico é importantíssimo, independente da idade da paciente. Talvez seja necessário realizar exames laboratoriais devido às contraindicações relativas ao uso de contraceptivos, sejam eles orais, injetáveis, adesivo ou até anéis vaginais. Ideia de prevenção, não fazer a automedicação", alerta o especialista.

Para muitas mulheres, a descoberta da pílula anticoncepcional foi o melhor medicamento já inventado. Porém, para outra parcela feminina, as reações do organismo e efeitos colaterais não dizem isso. O médico ressalta que a escolha do remédio deve ser muito pessoal, levando em conta hábitos e histórico de saúde. "Assim como todo medicamento, o histórico de saúde é fundamental na indicação médica para o contraceptivo. Caso a paciente inicie o uso de pílula sem orientação, tomando a mesma que uma colega, por exemplo, ela corre riscos de efeitos colaterais e até gravidez indesejada", diz o ginecologista.

Assim como qualquer outro medicamento, as pílulas podem causar alguns efeitos colaterais. "Em algumas pacientes o medicamento pode provocar reações como enjoo, vômito, dor de cabeça, tontura, cansaço, ganho de peso, acne, cloasma [mancha escura na face], mudança de humor, diminuição da libido ou varizes, e até alterações mais graves como trombose e tromboembolia pulmonar", alerta Luiz Fernando Leite.

Outra grande preocupação das mulheres é o ganho de peso. "Em alguns casos ela pode ser responsável pelo aumento do peso, por causa do estrogênio presente na maioria dos anticoncepcionais, o que pode desencadear um aumento de apetite. A progesterona pode induzir também a retenção de líquido, deixando a mulher mais inchada", explica o especialista.

Não são todas as mulheres que podem optar por esse método contraceptivo. Quem tem histórico prévio de câncer de mama, trombose venosa profunda, hipertensão arterial não controlada ou com doença vascular, doença cardíaca isquêmica, acidente vascular cerebral (derrame), diabetes descontrolado, por exemplo, tem o uso da pílula contraindicado. Já mulheres tabagistas e acima de 40 anos, devem consultar um especialista antes de optar pelo método anticoncepcional.

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