Morte de ex-fisiculturista britânico reacende alerta para dietas hiperproteicas

O atleta chegou a consumir 10 mil calorias por dia, e acabou sobrecarregando seu fígado, levando ao aparecimento de câncer

por Vinícius Andrade 22/07/2015 18:25

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Nos últimos quatro anos, o ex-fisiculturista britânico Dean Wharmby lutou contra o câncer, que surgiu no seu fígado após exagerar no consumo de proteína e gordura (foto: Facebook/Deansjourney2015/Reprodução)
A busca pelo corpo "perfeito", a qualquer custo, pode acabar mal. Infelizmente, foi assim para o ex-fisiculturista britânico Dean Wharmby, de 39 anos, que perdeu a batalha contra um câncer no fígado. Antes da doença, o atleta consumia 10 mil calorias diárias, conseguidas por meio de hambúrgueres, pizzas e sanduíches de bacon, além de sete latas de energéticos. Ele admitiu ter feito uso de esteróides anabolizantes durante um ano para aumentar o ganho muscular.

O britânico foi fisiculturista por 20 anos, antes de adoecer. Ele lutou contra o câncer durante quatro anos. O comprometimento do fígado estava fortemente associado ao uso de anabolizantes e à dieta hiperproteica e gordurosa adotada por Wharmby. O caso do fisiculturista serve como um alerta para o uso indiscriminado de esteróides e para a alimentação inadequada.

Cardápio hiperproteico

Para nutricionista Viviane Admus Paixão, membro do Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais, a ingestão de proteína é fundamental para o funcionamento do corpo, mas o excesso pode acarretar em complicações nas funções hepáticas ou renais. Segundo ela, uma alimentação rica em proteína realmente ajuda a emagrecer, porém, apenas a curto prazo, isso porque faz com que a pessoa perca muita água.

"A longo prazo, essa dieta traz resultados ruins, porque a falta de outros elementos, como o carboidrato, pode provocar também falta de energia e fraqueza, e até favorecer o ganho de peso, caso a pessoa abandone a alimentação restritiva", explica a nutricionista.

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As dietas hiperproteicas, segundo a nutricionistas, podem causar redução de peso a curto prazo, mas, quando prolongadas, resultam em sérios problemas no organismo (foto: Pixabay)


Excesso de proteína = fumar?

Segundo Viviane, um novo estudo lança dúvidas sobre a segurança das dietas ricas em proteínas, quando feitas durante um longo período. Conforme pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, uma alimentação rica em carne, ovos, leite e queijo pode ser tão prejudicial à saúde quanto fumar. O trabalho foi publicado no jornal científico Cell Metabolism.

"Por isso, recomendamos que as pessoas façam um acompanhamento nutricional com o único profissional habilitado a prescrever dietas e plano alimentar, que é o nutricionista. Com isso, terá sempre uma dieta segura, saudável, e que traga no prato todos os grupos alimentares, mas, sempre com moderação", recomenda Viviane.

Gordura exagerada: caminho para doenças

De acordo com a especialista, pesquisas recentes apontam que o consumo exagerado de gorduras insaturadas provoca inflamação no hipotálamo, região do cérebro que controla a saciedade. "Com a destruição dos neurônios, não ocorre a saciedade e a pessoa passa a comer mais, agravando possíveis enfermidades", diz a nutricionista. Entre os principais problemas causados pelo excesso de gordura estão o colesterol elevado, a gastrite, o diabetes e a hipertensão.

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