Segundo pesquisa, 75% dos partos da rede privada em BH são cesarianas

O estudo foi realizado por professoras da Escola de Enfermagem da UFMG

23/07/2015 12:21

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A coordenadora da pesquisa e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Edna Rezende: "No parto normal há menos complicações como hemorragias e infecções" (foto: Pixabay)
Pesquisa realizada em Belo Horizonte constatou que cerca de 45% dos partos realizados de novembro de 2011 a março de 2013 ocorreram por cesárea, percentual muito superior aos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Grandes diferenças no tipo de parto foram observadas entre os setores público e privado. Enquanto nas maternidades públicas 70% dos partos foram normais, nas instituições privadas 75% ocorreram por cesariana.

O mais preocupante é que, para quase metade das mulheres pesquisadas, essa escolha não foi feita no pré-natal, explica a professora Edna Maria Rezende, da Escola de Enfermagem da UFMG, coordenadora do estudo, que contou ainda com participação das professoras Eunice Francisca Martins e Kleyde Ventura de Souza.

O estudo Nascer em Belo Horizonte: Inquérito Sobre Parto e Nascimento, que avaliou 1.088 mulheres puérperas e seus recém-nascidos em 11 maternidades da capital mineira, seguiu a mesma metodologia utilizada na pesquisa nacional, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que abrangeu cerca de 24 mil puérperas em todo o país.

Cesariana desnecessária

De acordo com Edna Rezende, o estudo teve como objetivo analisar as condições de parto e nascimento em maternidades públicas e privadas de Belo Horizonte e conhecer os determinantes, a magnitude e os efeitos adversos decorrentes da cesariana desnecessária. "Também procuramos descrever as complicações imediatas, por tipo de parto, para as puérperas e para os recém-nascidos", acrescenta a especialista.

Sobre as vantagens do parto normal em relação às cesarianas, as professoras afirmam que o parto natural é procedimento menos traumático, com recuperação mais rápida, além de haver participação ativa da mulher durante o processo.

"No parto normal há menos complicações como hemorragias e infecções. Ele ainda facilita o autocuidado e o cuidado da criança no pós-parto, a alta hospitalar precoce e demanda menor custo financeiro para o sistema de saúde", enumera Edna Rezende. Para o recém-nascido, reduz o risco de prematuridade decorrente da cesariana, facilita a amamentação precoce e diminui o risco de infecções e outros desfechos desfavoráveis.

Nas maternidades privadas, 41% das mulheres ouvidas tinham curso superior, 74% tinham trabalho remunerado, 59% pertenciam às classes econômicas A ou B, e 9% procuraram atendimento em outra instituição antes de serem internadas para a assistência ao parto. Nas maternidades públicas, esses números caíram respectivamente para 6%, 44%, 15% e 29%.

(Com Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG)

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