Homem não chora?

Será que a famosa música do estilo arrocha está certa? Especialista fala sobre esse mito machista

por Da redação com assessorias 27/07/2015 16:52

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Wikimedia/Reprodução
"Homem pode chorar? Claro que sim", diz a terapeuta Heloísa Capelas, em relação ao mito de que homem não pode externar os sentimentos (foto: Wikimedia/Reprodução)
"Estou indo embora agora. Por favor, não implora. Porque homem não chora", diz a letra da música Porque Homem Não Chora, do cantor de arrocha Pablo. Mas, será que essa canção, que ficou muito popular no país, condiz com a realidade, ou é apenas uma forma antiga de machismo, que remonta à época da sociedade patriarcal?

"O machismo e o patriarcado são males que assolam as mulheres, mas que também afetam os homens de certa maneira. Se por um lado esses valores dão certos privilégios, muitas vezes o próprio homem não suporta os paradigmas e estereótipos impostos pela sociedade e acaba enfrentando dificuldades para lidar com suas próprias fraquezas", diz a escritora Heloísa Capelas, que é terapeuta familiar e atua no desenvolvimento do potencial humano há cerca de 30 anos.

Uma pesquisa da  Associação Americana de Psicologia aponta que 80% dos homens sofrem com a falta de habilidade para colocar emoções e sentimentos em palavras. Além disso, o número de suicídios e de mortes é muito maior entre os homens do que entre as mulheres. Segundo a especialista, isso pode estar ligado à ideia de que o homem não chora, ou seja, não exterioriza sentimentos.

"Quantos de nós não ouvimos, quando crianças, o famoso 'homem não chora'? Homem pode chorar? Claro que sim. Essa foi só uma regra social inventada em algum momento da nossa história, durante a construção da humanidade. E muitas crenças antigas nada têm a ver com a construção social contemporânea. No entanto, esse comportamento ainda costuma ser passado de pai para filho, mesmo que inconscientemente", explica Heloísa.

Como mostra a terapeuta, é preciso criar um novo paradigma. As mulheres que sempre tiveram mais espaço, que conseguiram aprender uma série de atividades ao mesmo tempo – cuidar da casa, da família, dos filhos etc – e lidar com outras mulheres, tiveram mais oportunidade de conversar. "O homem não, ele teve que ir à luta, tinha que disputar o dinheiro com outros homens. A mulher, embora estivesse em uma posição menor, submissa, teve oportunidade de pensar sobre si mesma, de se olhar. O homem não, ele só teve oportunidade de ganhar dinheiro e foi se fazendo profissionalmente porque tinha a obrigação de ir para o topo da montanha", completa a especialista.

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