É verdade que tatu pode transmitir hanseníase?

Casos da doença nos Estados Unidos foram associados ao contato com o simpático animal. Entenda melhor a questão!

por Vinícius Andrade 01/08/2015 09:08

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O tatu-galinha, primo do Fuleco, mascote da Copa de 2014, está sendo associado a casos de hanseníase na Flórida, nos Estados Unidos (foto: Pixabay)
Você sabia que o primo do Fuleco, aquele mascote bonitinho da Copa de 2014, pode ser transmissor da hanseníase? Na Flórida, estado que fica região sul dos Estados Unidos, já foram registrados nove casos da doença, este ano, pelo contato com o Dasypus novemcinctus, vulgarmente conhecido como tatu-galinha ou tatu-de-nove bandas. Além do país norte-americano, a espécie pode ser encontrada no norte da Argentina e no Brasil, onde ele é muito comum.

O dermatologista Marcelo Grossi Araújo, professor da UFMG, explica que há muito tempo já se sabe que o tatu é um animal suscetível à hanseníase. Porém, em 2011, um pesquisador americano identificou que as cepas da bactéria causadora da doença no tatu eram iguais às que afetavam as pessoas na região sul dos EUA. Uma possível explicação para as enfermidades registradas este ano é o hábito relativamente comum de domesticar o tatu na Califórnia e nas regiões vizinhas.

No Brasil, o tatu-galinha é ainda mais comum, mas, segundo o dermatologista, não há registros de casos da hanseníase associada ao contato com o bicho. "Aqui no país não existe esse hábito de domesticar tatu. Teoricamente, caçadores é que teriam mais risco. Mas, ainda não há comprovação da transmissão da hanseníase pelo tatu no Brasil", afirma o professor.

A doença

O termo lepra não é utilizado no Brasil, porque gera um preconceito acerca da doença. Ela é infecciosa e causada por uma bactéria chamada Mycrobacterium leprae. Trata-se de uma das enfermidades mais antigas registradas na literatura, aparecendo, inclusive, na Bíblia Sagrada.

A doença tem cura, mas pode se tornar muito perigosa quando não for tratada com antecedência. Os países com maior incidência são os menos desenvolvidos ou com condições precárias de higiene e superpopulação. Em 2011, o Ministério da Saúde registrou mais de 33 mil casos de hanseníase no Brasil.

Marcelo Grossi alerta para os cuidados que a população deve tomar. "Qualquer pessoa que tenha mancha na pele com alteração na sensibilidade, ou perda da sensibilidade, mesmo sem mancha, deve procurar um médico para esclarecer a hipótese de hanseníase. As mutilações são cada vez mais raras e o tratamento é muito eficaz", destaca o dermatologista.

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