Há 35 anos, papa João Paulo II visitava Belo Horizonte

A primeira vinda de um pontífice à capital mineira ficou guardada na memória dos mineiros, sendo representada pela praça construída em sua homenagem e pela frase dita pelo religioso no alto do bairro Mangabeiras: 'Que belo horizonte!'

por Vinícius Andrade 04/08/2015 08:41

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Acervo Estado de Minas/EM/D.A Press
Uma multidão saiu às ruas de Belo Horizonte, em 1980, para receber o papa João Paulo II, que desfilou no tradicional 'papa-móvel' (foto: Acervo Estado de Minas/EM/D.A Press)
Sob gritos de "ei, ei, ei, o papa é nosso rei", o líder da Igreja Católica, João Paulo II, chegava a Belo Horizonte no dia 1º de julho de 1980.  No alto do bairro Mangabeiras, onde o pontífice celebrou a missa para uma multidão, ficaria eternizada a Praça do Papa. Trinta e cinco anos se passaram, mas a visita do religioso ainda está viva na recordação de quem presenciou aquela data especial.

Quem estava lá é a professora Margarida Maria Pereira, de 72 anos, que não conseguiu sequer ver o papa, mas guarda na memória uma história de fé e mistério sobre a vinda do pontífice. Grávida de oito meses na época, Margarida foi para a avenida Afonso Pena, na altura da Praça da Bandeira, esperar pela passagem do líder religioso. A multidão a impediu de ver João Paulo II, mas, mesmo assim, ela conta que foi "tocada" pela presença do visitante ilustre. "Eu senti algo muito forte dentro de mim, não sei explicar direito o que é. Não tinha conseguido ver nada, mas, nesse momento, as pessoas me falaram que o papa havia passado", conta a professora.

Por causa da barriga avantajada, Margarida não pôde acompanhar o pontífice no alto da Afonso Pena. Porém, ela lembra que não perdeu nada da passagem de João Paulo II no Brasil. "Na minha casa só tinha uma televisão, e eu já tinha um filho de seis anos. Ele queria ver os desenhos, mas eu ficava pedindo para ver o papa. Como ele era um bom menino, deixava. Quando falei que o papa estava indo embora, ele ajoelhou na mesa e disse: graças a Deus, porque agora eu posso ver meus desenhos", conta, com bom humor, a professora.

Euler Junior/EM/D.A Press
O bairro Mangabeiras foi palco da missa celebrada pelo papa João Paulo II, na praça que fora feita para esse importante momento da história de BH, e que se tornou um ponto turístico da capital mineira (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)


Pela mídia

Dom João Justino de Medeiros Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, tinha 13 anos quando o papa esteve no Brasil. Ele ainda era coroinha em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, e já tinha o desejo de se tornar padre. Ele não conseguiu viajar para Belo Horizonte naquele julho de 1980. Restou ao futuro bispo acompanhar os passos do papa pela televisão e pelos jornais da época.

"Passados 35 anos da visita do papa, hoje São João Paulo II, percebo ainda a força das lembranças vivas em tantos fiéis. Todas as vezes que vou à Praça do Papa, imagino o quanto deve ter sido bonito ver aquela multidão cantando 'A benção, João de Deus'", conta o bispo auxiliar de BH.

Legado

A visita de João Paulo II foi a primeira e a única de um papa em Belo Horizonte. Dom João Silva destaca a importância da passagem do maior líder da Igreja Católica pela capital mineira. "O povo se viu contemplado com a presença do papa e animado em sua fé. Belo Horizonte deu as mãos às outras cidades por onde São João Paulo II passou e acolheu uma multidão de peregrinos que queriam ouvir o sucessor de São Pedro falar de Jesus Cristo", diz o bispo.

O religioso ressalta que foram inúmeras realizações de João Paulo II durante os 27 anos de papado. Porém, ele lembra uma característica especial do pontífice: "O papa João Paulo II esteve muito atento ao encontro com a juventude, oferecendo à Igreja a oportunidade de se revitalizar com a presença dos jovens. Foi dele a iniciativa das Jornadas Mundiais da Juventude", destaca Dom João.

João Paulo II nasceu na Polônia, no dia 18 de maio de 1920, e morreu no dia 2 de abril de 2005, aos 84 anos. Ele foi sucedido pelo alemão Bento XVI, que se afastou do cargo e entregou o papado ao primeiro latinoamericano a ocupar o mais alto posto da Igreja Católica: o argentino Jorge Mario Bergoglio, que escolheu ser chamado de Francisco.

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