A cidade de Hiroshima ainda guarda a lembrança do fatídico 6 de agosto de 1945

Há 70 anos, os Estados Unidos lançavam a primeira bomba atômica do mundo, que dizimou milhares de japoneses, e seria o primeiro passo para o fim da Segunda Guerra Mundial

por João Paulo Martins 04/08/2015 14:56

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A bomba atômica lançada pelo bombardeiro americano Enola Gay, em 6 de agosto de 1945, dizimou milhares de pessoas e destruiu casas, templos e prédios na cidade japonesa de Hiroshima (foto: Pixabay)
Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, na cidade japonesa de Hiroshima, Kimie Mihara, então com 19 anos, estava atrasada para o trabalho. O que parecia um problema, na verdade, acabou salvando sua vida. Naquele fatídico dia, a bomba atômica apelidada de "little boy" (pequeno garoto) era lançada sobre a região, deixando 250 mil vítimas e destruindo grande parte dos edifícios e casas. Era a primeira vez que a humanidade se deparava com essa terrível arma de destruição em massa – em 9 de agosto de 1945, outra bomba destruiu a cidade de Nagasaki, levando à rendição do exército japonês na Segunda Guerra Mundial.

O escritório em que Kimie Mihara chegou a trabalhar por apenas dois meses é uma das poucas construções que restaram daquele período, em Hiroshima. O prédio, construído em 1915 e projetado pelo arquiteto tcheco Jan Letzel, foi criado para ser um ponto turístico da região, com um proeminente domo acima da torre principal, refletindo a opulência industrial da época. Em 1945, no momento da explosão da bomba, que ocorreu a 160 metros da construção, havia cerca de 30 trabalhadores debaixo do domo. Todos foram mortos instantaneamente, sendo que alguns nem tiveram seus restos mortais encontrados.

Atomicheritage.org/Reprodução
As ruínas do prédio com o domo se tornaram Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, e, hoje, recebem a visita de 11 milhões de turistas todos os anos (foto: Atomicheritage.org/Reprodução)


Hoje, as ruínas do edifício comportam o Memorial da Paz, que é visitado por cerca de 11 milhões de pessoas todos os anos. Desse total, 650 mil correspondem a turistas de fora do Japão.

"Por muito tempo eu não tive vontade de visitar o prédio. Quando ele recebeu o título da Unesco é que pensei em voltar ao local. Mas, mesmo assim, ainda não queria ver o prédio destruído", lembra Kimie Mihara, de 89 anos, que, apesar de possuir uma aparência frágil, demonstra muita lucidez.

Atomicheritage.org/Reprodução
A bomba atômica que atingiu a cidade de Hiroshima, há 70 anos, foi a primeira a ser usada pela humanidade, e abriu caminho para a rendição incondicional dos japoneses na Segunda Guerra Mundial (foto: Atomicheritage.org/Reprodução)


A japonesa trabalhava no escritório do Ministério do Interior do Japão, que ficava no prédio do domo, e sua jornada de trabalho se iniciava às 8h. Mas, naquele 6 de agosto de 1945, o avião bombardeiro americano B-29, conhecido como Enola Gay, despejou a bomba atômica sobre Hiroshima às 8h15. Como não estava se sentindo bem, Kimie acabou demorando para se aprontar. "Eu sobrevivi porque estava atrasada. Então, eu sei que fui sortuda por não estar lá naquele momento. Mas, quando lembro de todos que foram mortos, e que eram bons e pontuais, me sinto muito mal e arrependida por eles", completa a sobrevivente.

Em 1961, a prefeitura de Hiroshima decidiu manter as ruínas do prédio como uma lembrança daquele triste momento, e, em 1996, a edificação histórica recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, da Unesco, como forma de chamar a atenção do mundo para a necessidade de paz e de acabar com as armas nucleares.

(com Huffington Post)

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