Você acha certo mulher participar de lutas como as do MMA?

Especialista em Medicina esportiva levanta a discussão sobre a participação feminina em lutas consideradas 'violentas', e diz que não é um pensamento machista

por Vinícius Andrade 07/08/2015 14:42

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Instagram/rondarousey/Reprodução
Para o médico Beny Schmidt, especializado em Medicina esportiva, lutas entre mulheres, como a do dia 1º de agosto, entre Ronda Rousey e Bethe Pittbul, são incabíveis em nossa sociedade (foto: Instagram/rondarousey/Reprodução)
No sábado, dia 1º de agosto, os olhares do mundo inteiro se voltaram para a maior luta feminina da história do MMA (sigla em inglês para luta massiva de múltiplas artes marciais). A americana Ronda Rousey e a brasileira Bethe Pittbul protagonizaram o evento que mais comercializou pacotes pay per view (quando se adquire propramação paga na TV a cabo) na história do UFC. O badalado combate também reacendeu uma discussão antiga, que contesta a violência da modalidade, ainda mais quando é praticada por mulheres.

Um exemplo é o patologista muscular Beny Schmidt, especialista em Medicina esportiva no Brasil, que faz parte da vertente que repudia o UFC.  "Assisti à reprise do último evento feminino de MMA. Como um dos humildes protagonistas da Medicina esportiva do nosso país, gostaria de declarar que é inconcebível duas mulheres participarem de tal evento", declara.

Segundo o especialista, a afirmação não tem qualquer ligação com o machismo ou ideologia religiosa. Trata-se de uma "constatação do ser e da alma feminina". "Qualquer pessoa que tenha uma família, certamente, não vai gostar de ver sua irmã, sua mãe ou sua filha levando chutes ou socos no rosto, que podem levar a desfigurações e lesões traumáticas que ferem a beleza da mulher, a beleza do feminino", diz Beny.

Contraponto

O jornalista Túlio Kaiser, repórter especializado na cobertura do MMA pelo portal Superesportes, discorda da opinião do médico. "Quem gosta do esporte, o vê como uma magia. Você assiste à Ronda e às outras mulheres lutando e percebe que elas estão totalmente preparadas. Estão defendendo o que é delas, assim como em qualquer outro esporte", defende o jornalista.

Para o repórter, as críticas são mais duras ao MMA pelo fato da modalidade estar muito evidente na mídia. No entanto, ele afirma que os organizadores do esporte prezam pela saúde dos atletas. "Nele existem regras que evitam golpes mais perigosos, como bater na nuca. Existe um regulamento que previne o lutador de sofrer lesões mais sérias. O futebol, por exemplo, é cheio de lesões mais graves do que o MMA", destaca Túlio.

Facebook/juthaimma/Reprodução
A lutadora mineira Ju Thai diz que o MMA não é tão violento quanto outras modalidades esportivas, como por exemplo, o futebol, que gera muito mais lesão (foto: Facebook/juthaimma/Reprodução)


Mineira no UFC

A belo-horizontina Juliana Lima, de 32 anos, é formada em turismo, mas abandonou a carreira em 2010 para se dedicar exclusivamente ao MMA. Especialista no muay thai, ela se tornou lutadora profissional, e, desde então, é mais conhecida por "Ju Thai". Há dois anos, ela assinou contrato no UFC e representa o nome de Minas nas competições nacionais e internacionais.

Juliana reconhece que o coração da mãe fica apertado durante os combates, mas, garante que recebe apoio total em casa. "Minha família acompanha todos os meus duelos. Meu pai e meus irmãos amam o que faço. Na hora da luta, minha mãe 'dá uma voltinha'. Ela não aguenta ficar assistindo", conta, de forma descontraída, a lutadora.

Sobre os riscos de lesões, a atleta compara a luta a qualquer outro esporte. "Em outras modalidades, como o futebol, sempre vemos jogador que fica seis meses ou até um ano lesionado. Soco na cara não deforma, depois de um mês, tudo volta ao normal. Também recebemos assistência médica do UFC", conta a lutadora.

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