Ser uma criança estressada pode causar ansiedade e depressão na vida adulta

Segundo estudo, o estresse na infância afeta as bactérias que vivem no intestino e, com isso, problemas mentais podem surgir, no futuro

por João Paulo Martins 10/08/2015 10:04

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Segundo o estudo canadense, o estresse na infância afeta a flora bacteriana no intestino, o que leva a problemas psicológicos na vida adulta (foto: Pixabay)
Você sabia que os trilhões de micro-organismos que vivem no seu trato intestinal podem mudar a forma como seu cérebro tabalha? Pois é, um estudo recente aponta que um descontrole das bactérias que vivem no intestino pode causar doenças mentais como depressão, ansiedade, autismo e até Mal de Alzheimer.

Da mesma forma, um microbioma estável e saudável ajuda na saúde mental e no bom humor. Um estudo da McMaster University, do Canadá, realizado em cobaias e publicado no jornal científico Nature Communications, diz que os problemas vinculados à flora bacteriana podem ser ativados já na infância. Uma juventude estressante, segundo a pesquisa, é o ponto de partida para a disfunção do intestino e, como consequência, de problemas mentais ao longo da vida.

"A juventude muda a composição metabólica da atividade bacteriana no intestino", diz o gastroenterologista Premysl Bercik, coordenador da pesquisa, em entrevista ao portal de notícias The Huffington Post. "Nós descobrimos que essa mudança, que afeta o intestino, está associada ao estresse", completa.

Conexão "estresse-bactéria"

No estudo, os pesquisadores estressaram jovens camundongos ao separá-los das mães quando tinham entre três e 21 dias de vida. Com isso, os níveis de estresse aumentaram, e, consequentemente, subiu a quantidade de corticosterona no organismo. A elevação desse hormônio está ligada ao quadro de ansiedade e ao comportamento depressivo.

Além disso, os cientistas verificaram um descontrole nas bactérias do trato intestinal dos jovens camundongos. Essa desregulação teria sido provocada pela liberação de acetilcolina, um neurotransmissor responsável pela comunicação do nível de estresse entre o corpo e o cérebro.

"Estamos começando a explicar o complexo mecanismo de interação e dinâmica entre o microbioma do intestino e seu 'hospedeiro'", diz Bercik, no relatório final do estudo. "Nossos dados mostram que pequenas alterações nos perfis microbióticos podem ter profundos efeitos no organismo ao longo da vida", explica o gastroenterologista canadense.

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