E se uma bomba atômica fosse lançada sobre o centro de Belo Horizonte?

Site permite simular qual seria o número de vítimas de um cataclismo nuclear sobre a Praça Sete, na capital mineira, levando em conta o ataque nuclear contra a cidade japonesa de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945

por João Paulo Martins 14/08/2015 10:58

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Nuclearsecrecy.com/nukemap/Reprodução
O mapa mostra as áreas que seriam afetadas por uma explosão nuclear de 20 kilotons, a mesma que foi lançada sobre a cidade japonesa de Nagasaki em 9 de agosto de 1945. O círculo vermelho representa a área em que ninguém sobreviveria (foto: Nuclearsecrecy.com/nukemap/Reprodução)
Há exatos 70 anos, o mundo se aterrorizava com a força e o genocídio causados pelas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos contra o Japão. No dia 6 de agosto de 1945, a cidade de Hiroshima, então com cerca de 350 mil habitantes, foi atingida pela ogiva nuclear apelidada de "little boy", de 15 kilotons (kt). Ao todo, 250 mil pessoas morreram, entre soldados e cidadãos comuns. Três dias depois, é a vez de Nagasaki ser arrasada pela bomba "fat man", de 20 kt. Essa cidade japonesa, que contava com 263 mil habitantes antes do ataque, acabou perdendo cerca de 80 mil pessoas. Os dois fatos históricos estão longe de nossa realidade, mas, e se uma ogiva parecida com a de Nagasaki fosse lançada sobre Belo Horizonte, em plena Praça Sete?

De acordo com o site Nuclear Secrecy, que criou uma "ferramenta" de simulação de ataques nucleares, caso a capital de Minas Gerais sofresse o ataque de uma bomba de 20 kt, teríamos cerca de 89 mil mortes e mais de 229 mil pessoas feridas. Apesar de ser detonada a 500 m do solo, a explosão, em plena Praça Sete, deixaria uma cratera de 30 m de profundidade e 100 m de largura. Para se ter uma ideia, numa área de 1,82 km² a partir do epicentro da explosão, não haveria nenhum sobrevivente. Muitas vítimas teriam sido evaporadas, como explica Eduardo Valadares, professor de Física da UFMG.

Wikimedia/Reprodução
Clique para ampliar e conferir a visão aérea da cidade de Nagasaki antes e depois do ataque nuclear de 9 de agosto de 1945 (foto: Wikimedia/Reprodução)


Segundo o especialista, essa bomba pode até ser considerada pequena, em comparação com o arsenal nuclear que temos hoje – a maior ogiva feita pelo homem é russa e chega a 50 Mt (megatons), ou 1,5 mil vezes mais poderosa que a de Nagasaki. "Na hora da explosão, ela forma uma espécie de 'Sol em miniatura'. A temperatura é tão alta que os seres humanos são evaporados instantaneamente. Em Hiroshima, na zona de impacto, chegaram a encontrar apenas as pegadas das vítimas do ataque nuclear. Além disso, simultaneamente à explosão, surge uma onda de choque que se desloca numa velocidade superior à do som e que vai varrendo tudo que vê pela frente", explica o professor.

Você sabia que até a claridade gerada pelo impacto pode cegar as pessoas? Na verdade, como mostra a simulação do site Nuclear Secrecy, os efeitos da bomba de 20 kt podem chegar a 53,6 km². O problema, como mostra Eduardo Valadares, é que essa ferramenta não leva em conta o relevo da região afetada. "Os efeitos do ataque nuclear dependem da topografia. Até certo tempo atrás, Belo Horizonte era considerado um lugar interessante para se avaliar os efeitos de uma bomba atômica. A capital mineira era chamada de 'bunker natural', devido às montanhas, que servem de proteção", diz o físico. Hiroshima e Nagasaki, ao contrário de BH, são localidades costeiras e planas, e, assim, a área de abrangência da explosão nuclear tende a ser maior.

Que o uso de armas nucleares é algo terrível e condenável, todos sabem, mas o professor esclarece uma dúvida: por que os americanos jogaram duas bombas contra o Japão?. "A ogiva lançada sobre Nagasaki era feita de plutônio, e a de Hiroshima, de urânio. Então, os ataques serviram de teste para a capacidade destrutiva desses dois elementos radioativos", diz Eduardo Valadares.

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