Especialistas criticam doação de esperma via redes sociais

Grupos no Facebook incentivam o envio do gameta para diversas partes do mundo, sem nenhum controle em relação às doenças sexualmente transmissíveis

por Da redação com assessorias 17/08/2015 17:17

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Facebook/Reprodução
Com mais de 8 mil membros, o grupo Sperm Donor incentiva o envio de gametas de pessoas de diversas partes do mundo, sem nenhum controle sanitário do material (foto: Facebook/Reprodução)
Há pouco tempo, o jornal britânico The Telegraph publicou uma matéria revelando que as mídias sociais, especialmente o Facebook, vêm sendo utilizadas para movimentar o mercado de "doação" de espermatozoides. O grupo intitulado Sperm Donor tem, por exemplo, mais de 8 mil membros. Um dos usuários, um jovem gay de 26 anos, afirma ter contribuído para o nascimento de 10 bebês de nove diferentes mulheres que buscavam um doador nos últimos 13 meses.

Na opinião de Adam Balen, presidente da British Fertility Society, esse tipo de doação direta, sem assistência médica especializada, é bastante perigoso, já que o sêmen pode conter diversos tipos de doenças sexualmente transmissíveis.

No Brasil há pelo menos oito milhões de casais inférteis. Apesar dos brasileiros estarem de olho nas facilidades oferecidas em outros países, vale dizer que a doação de gametas (células reprodutoras) obedece aos preceitos da gratuidade e do anonimato. "Nem o doador conhece o casal ou a receptora a quem o sêmen foi doado, nem tampouco os receptores terão acesso à identidade do doador. Sendo assim, não há possibilidade de reclamação, futuramente, de pensão alimentícia ou responsabilidade social pela paternidade. Esse anonimato só é quebrado em situações muito especiais, em decorrência de motivação médica. Ainda assim, a clínica de reprodução assistida faz toda a intermediação", diz Assumpto Iaconelli Junior, diretor do Fertility Medical Group.

O especialista acredita que o Facebook poderia ser um meio eficiente de alertar a população sobre a importância da doação de gametas de forma anônima e dentro da legislação brasileira. "Hoje, a maioria dos doadores está envolvida direta ou indiretamente com um tratamento de fertilização assistida. São casais ou parentes próximos que se dispõem a contribuir com os bancos de gametas. Sem dúvida alguma, será bastante útil se conseguirmos aumentar o número de doadores dentro dos parâmetros que a lei permite. Caso contrário, veremos mais e mais receptoras se arriscando a contrair uma doença grave, inclusive colocando em risco a própria vida e a do bebê, por conta das facilidades permitidas em outros países", completa.

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