Matéria do The New York Times mostra o 'horror' que é trabalhar na Amazon

Segundo o jornal americano, a gigante do varejo online funciona como um regime de escravidão, criando um ambiente insalubre que incentiva a disputa entre os próprios funcionários

18/08/2015 12:34

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Internet/Reprodução
Segundo o jornal americano The New York Times, a gigante varejista online Amazon cria um ambiente de trabalho extremamente insalubre (foto: Internet/Reprodução)
"Dentro da Amazon: disputando grandes ideias num ambiente de luta". Esse é o título da reportagem publicada no jornal americano The New York Times, no sábado, dia 15 de agosto, e que está gerando polêmica na internet. A publicação mostra, já no subtítulo da matéria, o que o leitor vai encontrar pela frente: "a companhia está conduzindo um 'experimento' de como se forçar executivos a tentar alcançar suas mais variadas ambições". A Amazon, empresa criada pelo empresário Jeff Bezos, que também é dono do jornal Washington Post e um dos homens mais ricos do mundo, segundo a Forbes, possui um valor de mercado de cerca de US$ 250 bilhões. Com isso, ela ultrapassou a rede de supermercados Walmart como a maior empresa varejista dos Estados Unidos.

O NY Times diz ter ouvido 100 ex-funcionários e alguns trabalhadores atuais da empresa online, para chegar à conclusão de que além da "escravidão" – muitos são obrigados a permanecer no ambiente de trabalho após a meia-noite –, existe também uma política de disputa que cria padrões totalmente irracionais, eliminando a boa convivência entre as pessoas. "Praticamente todo mundo com quem trabalhei, vi chorar na mesa do escritório", diz Bo Olson, ex-funcionário que chegou a trabalhar no setor de marketing da livraria da Amazon.

Segundo o jornal americano, existe uma espécie de "darwinismo" institucionalizado, em que os mais fortes sobrevivem, gerando milhares de demissões anuais. Além da pressão psicológica, alguns trabalhadores disseram ao NY Times que quando foram diagnosticados com câncer, ou quando sofreram abortos ou outros problemas, não tiveram tempo de recuperar a saúde e foram avaliados negativamente ou simpelsmente demitidos.

Contraponto

Logo após a publicação da matéria, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, veio a público esclarecer a "real" condição de trabalho da empresa, que emprega nada menos que 180 mil pessoas. "O artigo não descreve a Amazon que eu conheço ou os 'amazonianos' preocupados, com quem trabalho todos os dias", diz o empresário, em comunicado que foi divulgado no site GeekWire. Ele reconhece que práticas como as descritas no jornal seriam inaceitáveis por qualquer pessoa, o que, segundo ele, causa estranhamento ao pensar que alguém teria coragem de permanecer num ambiente insalubre como esse.

"Mesmo que seja um caso raro ou isolado, a nossa tolerância para tal falta de empatia tem de ser zero", comenta Bezos no texto que divulgou na noite do domingo, dia 16 de agosto.

Porém, as palavras do bilionário americano não apagam os testemunhos que vieram impressos no NY Times, como o de John Rossman, um ex-executivo da gigante varejista, que chegou a publicar até um livro, intitulado The Amazon Way (O modo Amazon, em tradução livre): "Um monte de pessoas que trabalham lá sentem a pressão. É o 'melhor' lugar que eu odeio trabalhar", conta, na entrevista ao jornal.

Últimas notícias

Comentários