Afinal, o glifosato pode causar câncer?

Esse agrotóxico é muito usado em plantações de soja, e está sendo associado ao aparecimento de tumores em humanos

21/08/2015 08:40

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Pixabay
Para controlar ervas daninhas nas plantações, uma opção é o glifosato, que vem sendo questionado por ONGs e até pela OMS, já que estaria associado ao aparecimento de câncer (foto: Pixabay)
O herbicida glifosato, qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma substância com potencial cancerígeno, continua liberado no Brasil. Recentemente, o Ministério Público Federal enviou um documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando a reavaliação toxicológica do produto e o seu banimento no mercado nacional, mas ele segue em circulação no país. Para se ter uma ideia, foram comercializadas, em 2013, 186 mil toneladas da substância, usada, principalmente, em lavouras de soja transgênica.

Em comunicado oficial, a Anvisa informa que dará imediata continuidade à análise desse ingrediente ativo, em cumprimento à determinação do Decreto 4.074, de 2002. Este documento determina a reavaliação do registro de agrotóxicos quando surgirem indícios de riscos que desaconselhem o uso de produtos registrados, ou quando o país for alertado por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente.

O glifosato foi descoberto pela Monsanto, empresa multinacional de agricultura e biotecnologia, há 40 anos. O herbicida controla plantas daninha de diversas espécies de maneira eficaz. O modo de atuação do produto inativa uma enzima dentro da planta, responsável pela síntese dos aminoácidos, impedindo a produção de proteínas.

O uso da substância no Brasil passou de 44 mil para 132 mil toneladas entre 2002 e 2011, registrando um aumento de quase 200%. A expansão é maior que o crescimento da área plantada, que passou de 54,5 milhões de hectares para 71,1 milhões (31% a mais).

Segundo a Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (Iarc, na sigla em inglês), órgão vinculado à OMS, há evidências de que o herbicida pode ser cancerígeno ao homem e estudos suficientes que indicam o potencial cancerígeno em animais. Ainda conforme a Iarc, o glifosato está ligado ao desenvolvimento de linfonoma não-hodgkin, tipo de câncer associado a mais de 20 tumores diferentes. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o número de casos desse tipo de doença duplicou nos últimos 25 anos.
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O Roundup é um dos mais usados agrotóxicos à base de glifosato. A polêmica substância foi criada pela Monsanto há 40 anos (foto: Internet/Reprodução)

Segundo o bioquímico Fernando Amaral, professor da PUC Minas, estudos mostram que a ação do glifosato puro não é tão prejudicial à saúde. Porém, ele explica que o produto é acompanhado de outras substâncias químicas, como o polióxidoetileno, para ajudar na penetração do herbicida, o que pode causar danos a animais e seres humanos. "Quando você testa o Roundup [nome comercial do herbicida] à base de glifosato e outras substâncias, ele apresenta efeito tóxico até três vezes maior. Basta recorrer a artigos científicos para constatar os riscos do produto", alerta o especialista.

Controvérsia

O diretor de regulamentação da Monsanto, Geraldo Berger, afirma que o glifosato possui baixa toxicidade e não contém um reagente que cause danos aos mamíferos. Segundo ele, o herbicida atua especificamente em plantas. A associação do produto com o câncer deixou o representante da Monsanto surpreso. "A Iarc utilizou números restritos de estudo, não tem nenhuma evidência causal entre glifosato e câncer. O herbicida é seguro para ser usado na agricultura. É químico, mas é pouco tóxico", afirma o representante da Monsanto.

Ainda segundo Geraldo, o glifosato já foi reavaliado nos Estados Unidos, na União Europeia, no Canadá e no Japão, e não há indícios de toxicidade do produto.

Conforme especialistas e opositores ao uso de agrotóxicos, a grande barreira para o controle desses protudos é a pressão econômica da indústria química. Esse mercado movimentou R$ 13 bilhões no Brasil em 2011, de acordo com estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

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