Colecionador mineiro mantém viva a história da Segunda Guerra Mundial

Engenheiro civil belo-horizontino possui uma das mais importantes coleções de itens desse período em todo o Brasil

por Marcelo Fraga 02/09/2015 08:45

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Cláudio Cunha/Encontro
O engenheiro mineiro Marcos Moretzsohn é o maior colecionador de itens da Segunda Guerra Mundial no Brasil (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
No final dos anos 1930, mais precisamente em 1939, o mundo entrava em colapso. A Europa era palco de um conflito que se arrastaria por seis anos, envolvendo diretamente quase 40 países e deixando aproximadamente 70 milhões de pessoas mortas – seis milhões só de judeus. Diante desses fatos, é inegável que a Segunda Guerra Mundial foi um marco na história da humanidade.

Após inúmeras batalhas e grandes bombardeios, a guerra terminou, em 1945, com a vitória dos Aliados (EUA, Reino Unido e União Soviética) sobre o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Completados 70 anos do fim da guerra, a memória do maior conflito da humanidade permanece viva em objetos que foram deixados para trás por aqueles que participaram dos combates.

Medalhas de condecoração, capacetes e fardas que pertenceram a militares, além de outros objetos utilizados por civis que viveram os horrores da guerra se tornaram verdadeiras relíquias. Ao contrário dos tempos sombrios, algumas dessas preciosidades, hoje, repousam na tranquilidade da casa de um mineiro. O engenheiro civil Marcos Moretzsohn, de 56 anos, possui a maior coleção existente no Brasil de itens relacionados à Segunda Guerra.

O belo-horizontino reservou um quarto em sua residência, na região centro-sul de Belo Horizonte, para reunir verdadeiras preciosidades. Quem entra no espaço logo fica impressionado com o resultado da paixão de Moretzsohn pelas recordações da guerra. Por todos os lados, há objetos que chamam a atenção. "Aqui não dá pra ver tudo. Estou pensando em um espaço maior, para que fique mais organizado", conta o engenheiro, que possui nada menos que 3,8 mil itens na coleção.

Segundo Marcos Moretzsohn, tudo começou ainda nos tempos de colégio, no final dos anos 1960. "Eu precisei fazer um trabalho sobre a Segunda Guerra e, durante a pesquisa, fiquei encantado com a história", lembra. O primeiro item de sua coleção foi obtido alguns anos mais tarde, quando ele comprou, em 1978, na Argentina, a réplica de uma medalha da cruz de ferro alemã, que era a mais alta condecoração do regime nazista do ditador Adolph Hitler. Hoje, Moretzsohn não possui mais aquela cópia. Porém, ele guarda impressionantes 400 medalhas originais, incluindo diversas cruzes de ferro.

Cláudio Cunha/Encontro
Como mostra o colecionador belo-horizontino, as pessoas precisam conhecer o drama vivido por quem vivenciou a Segunda Guerra, para que esse terror não volte a acontecer (foto: Cláudio Cunha/Encontro)


Além das condecorações, chamam a atenção ainda os capacetes de combate. O engenheiro mineiro possui cerca de 80 deles, vários enferrujados, pois permaneceram enterrados por anos nos campos de batalha na Europa. A ação do tempo não conseguiu apagar as manchas de sangue, nem as marcas de tiros nos capacetes, que são uma lembrança dos tempos de horror vividos pelos combatentes.

Moretzsohn também guarda fardas originais, em perfeito estado de conservação, utilizadas pelos nazistas. Algumas, inclusive, vestiram soldados da guarda pessoal de Hitler. Um exemplar, extremamente conservado, dos pijamas que eram fornecidos aos judeus nos campos de concentração, também integra a coleção do engenheiro.

Sobre colecionar objetos de um período sombrio na história da humanidade, Marcos Moretzsohn diz que o hábito vai além de um simples hobby. "É a preservação das recordações de um fato histórico. Obviamente, ninguém considera a guerra como um fato positivo, mas é preciso recordar, para que isso nunca mais se repita na nossa história", diz o engenheiro, que é descendente de judeus.

O mineiro pretende, ainda, criar uma espécie de museu, disponibilizando seus itens para a visitação pública. A intenção, segundo Moretzsohn, é que as pessoas conheçam a história da Segunda Guerra Mundial, sobretudo a população mineira. "As pessoas precisam ter conhecimento do que foi o conflito e devem, inclusive, saber o quão importante foi a participação do Brasil. Afinal, muitos cidadãos brasileiros estiveram do outro lado do continente, lutando pela paz que vivemos nos dias atuais", conclui Marcos Moretzsohn.

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