Pesquisa polêmica diz que Alzheimer poderia ser transmitido

Segundo o estudo, o material contido em instrumentos cirúrgicos poderia contaminar o cérebro de um paciente e induzir aos sinais característicos dessa doença que atinge 35 milhões de pessoas no mundo

por Vinícius Andrade 14/09/2015 08:26

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É preciso cautela ao analisar o estudo inglês, pois não foi comprovada a transmissão efetiva do Mal de Alzheimer nos pacientes estudados (foto: Pixabay)
Uma pesquisa recente diz que o Mal de Alzheimer pode ser transferido durante procedimentos médicos, em um padrão semelhante ao observado com outro mal degenerativo cerebral, a doença de Creutzfeldt-Jakob, que deu origem à Vaca-Louca. O estudo foi realizado por cientistas da Universidade College de Londres e publicado na renomada revista científica Nature. Os autores argumentam que instrumentos cirúrgicos e agulhas poderiam apresentar um raro, mas potencial risco de contágio.

Vale ressaltar que se trata apenas de uma hipótese, feita com base em autópsias de cérebros de oito pacientes. Alguns especialistas já rejeitaram os resultados do estudo, alegando que eles são inconclusivos e não indicam que o Alzheimer possa ser contagioso. A pesquisa também não alega que a transmissão da doença possa ocorrer por meio do contato entre pessoas, apenas por materiais cirúrgicos.

Como o estudo é recente, ele ainda não foi bem assimilado por boa parte dos médicos. Para o neurologista Luiz Carlos Romanelli, do Hemominas, a hipótese lançada pelos pesquisadores britânicos é desconhecida. "Em princípio, não faz sentido, mas é preciso saber mais a fundo sobre esse estudo", afirma o especialista.

Quem também refuta a possibilidade de transmissão do Alzheimer é a neurologista Juliana Cardoso Leal, coordenadora do serviço de Neurologia da Rede Mater Dei.

A doença

Mais comum em pessoas de idade avançada, o Mal de Alzheimer é resultado da morte de células cerebrais e de um encolhimento do órgão, o que afeta muitas de suas funções. Cerca de 35 milhões de pessoas no mundo sofrem com essa doença. No Brasil, estima-se que ela atinja cerca de 1,2 milhão de pessoas.

Requer mais estudos

A equipe do polêmico estudo, comandada por John Collinge, analisou os cérebros de pacientes recém-falecidos em função da doença de Creutzfeldt-Jakob. Os pesquisadores encontraram dois sinais característicos do Alzheimer: um aglomerado de fragmentos da proteína beta-amiloide e a presença de emaranhados de uma proteína conhecida como "tau".

Todos os pacientes haviam contraído a doença por meio de injeções de hormônio de crescimento que receberam quando crianças. Entre os oito corpos estudados, sete tinham amiloides, fato curioso pela  idade relativamente jovem (entre 31 e 51 anos) e porque eles não tinham histórico familiar de Alzheimer.

Segundo informou o site da BBC, Collinge sugere que os hormônios possam ter passado pequenas quantidades de beta-amiloides, além das proteínas que causaram o Creutzfeldt-Jakob. Isso significa que os amiloides poderiam ser transferidos em procedimentos médicos e cirúrgicos e, consequentemente, espalhar o Alzheimer.

Porém, é preciso cautela. Nenhum dos pacientes analisados teve diagnóstico de Alzheimer e não é possível cravar que eles desenvolveriam a demência. Também não há provas de que o acúmulo de amiloides estava diretamente ligado às injeções de hormônios.

Collinge destaca que mais estudos precisam ser feitos. De acordo com a BBC, ele teria procurado o Ministério da Saúde do Reino Unido para checar se existem antigos estoques de hormônio de crescimento que possam ser examinados para detectar a presença de amiloides.

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