Bebês costumam pensar?

Pesquisadora americana confirma que mesmo aos 18 meses de vida, as crianças são capacidades de realizar cálculos complexos e entender os adultos

por Da redação 16/09/2015 13:10

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Para a pesquisadora, é incrível descobrir que bebês de 18 meses entendem que as pessoas têm necessidades diferentes (foto: Pixabay)
Nos últimos 30 anos, as descobertas envolvendo a ciência do desenvolvimento humano mudaram completamente a concepção que se tinha acerca da potencialidade mental na primeira infância. Se antes os cientistas achavam que os bebês eram quase "irracionais", hoje, acredita-se que eles chegam a ter uma capacidade cognitiva semelhante à de grandes gênios da história.

Isso porque, segundo a psicóloga americana Alison Gopnik, da Universidade de Berkeley, as pesquisas têm desenvolvido linhas alternativas para investigar a atividade cerebral nessa fase, já que os bebês não conseguem se expressar por meio da fala.

A especialista, em palestra sobre o tema no TED (Tecnologia, Entretenimento e Design, que é uma série de conferências curtas), garante que bebês de 18 meses são capazes de refletir sobre o que o outro ser humano está pensando. A conclusão veio de um experimento simples, feito por ela e uma aluna.

A experiência consistia em oferecer dois pratos de comida a bebês entre 15 e 18 meses. Um continha brócolis cru e o outro, duas bolachas decoradas em formato de peixinho. A aluna simulava para alguns grupos de bebês a preferência por determinado alimento. Para outro grupo, sinalizava outro. O que elas constataram foi que enquanto o grupo de bebês de 15 meses não compreendia a preferência pelo brócolis (já que na percepção deles, o biscoito é mais saboroso), os de 18 entregavam, quando solicitado, o alimento favorito da interlocutora. Ou seja, compreendiam que outros seres humanos pensam de forma diferente e trabalham para ajudá-las a realizar o seu desejo.

"Há duas coisas impressionantes em relação a isso. A primeira é o fato de bebês de 18 meses terem descoberto a verdade profunda da condição humana: que nem sempre queremos as mesmas coisas. E mais, eles sentiram que deviam fazer o possível de forma a ajudar outras pessoas a terem o que queriam. Mas, mais impressionante ainda, o fato de os bebês de 15 meses não terem feito isto indica que os de 18 meses aprenderam essa verdade da natureza humana nos três meses a mais", afirma a pesquisadora.

Em outro estudo, a americana verificou que crianças de 4 anos de idade fazem, internamente, complexos cálculos de probabilidade e são melhores em descobrir uma hipótese improvável do que adultos perante a mesma tarefa.

Em síntese, Alison Gopnik defende que os bebês e as crianças pequenas têm dificuldade em focar a atenção em uma única fonte de informação, mas têm uma capacidade incrível de absorver aprendizados de várias fontes, sem limitar a experiência, como os adultos geralmente fazem.

(com Portal EBC)

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