Soldados nazistas invadiram a Polônia e a França sob o efeito de droga

Escritor lança livro que traz à tona o uso de metanfetamina pelo exército alemão como forma de dar mais ânimo e coragem aos 'jovens de Hitler'

por João Paulo Martins 18/09/2015 10:49

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Albumwar2.com/Reprodução
Como mostra o livro do escritor alemão Norman Ohler, grande parte da força do exército nazista era baseada no uso de droga estimulante (foto: Albumwar2.com/Reprodução)
Recém-lançado, o livro In Der Totale Rausch (ou A Todo Vapor, em tradução livre), do escritor alemão Norman Ohler, criou uma polêmica envolvendo as vitórias da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o texto, os soldados nazistas de Adolph Hitler eram movidos a drogas. Isso mesmo. Apesar de não estarem cientes do consumo da crystal meth (uma espécie de metanfetamina), como mostra a publicação, os militares acreditavam que ao consumir o comprimido, estavam sendo estimulados assim como a cafeína presente numa xícara de café.

O escritor mostra que as famosas blitzkriegs (guerras relâmpago) empreendidas pelos alemães contra a Polônia e a França teriam sido deflagradas sob a chancela do Pervitin, um psicotrópico que hoje é conhecido como "speed". Ele foi desenvolvido pela empresa farmacêutica Temmler, com sede em Berlim, na Alemanha, em 1937, e, após ser analisado e aprovado pelo médico Otto Ranke, do exército alemão, foi transformado em "instrumento de batalha" pelos generais de Hitler.

Para chegar a essa conclusão, Norman Ohler analisou dezenas de documentos do exército alemão e do governo americano relacionados à maior batalha do século XX. Ele descobriu que esse estimulante do sistema nervoso central foi reconhecido pela Wehrmacht (forças armadas nazistas) como um aliado dos soldados, que após o uso, sempre estavam dispostos e "famintos" por vitórias.

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O Pervitin era um comprimento de metafentamina usado pelos nazistas para conseguir invadir a Polônia e a França (foto: Internet/Reprodução)


Essa dependência causada pela droga no contexto da guerra pode ser vista numa carta de 9 de novembro de 1939, de um soldado alemão que havia participado da invasão da Polônia, e que fora endereçada à sua família, que vivia na cidade de Colônia: "Caros pais e irmãos, as coisas não estão muito boas por aqui. Espero que vocês entendam se só vou conseguir lhes escrever uma vez a cada dois ou quatro dias. Hoje, estou lhes escrevendo principalmente para pedir que me enviem um pouco de Pervitin (...) Amo vocês".

Uma prova de que a metanfetamina fazia parte das estratégias dos generais e marechais de Hitler pode ser vislumbrada em um memorando emitido em 1940: "Cada oficial médico precisa estar ciente de que o Pervitin é um estimulante altamente diferenciado e poderoso, uma ferramenta que lhe permitirá, a qualquer momento, auxiliar ativa e efetivamente, dentro da sua esfera de influência, certos indivíduos a executarem funções com uma eficiência acima da média".

Para se ter uma ideia de como a droga era usada em larga escala nessa época, de abril a julho de 1940, mais de 35 milhões de comprimidos de Pervitin e de Isophan, que era uma versão "genérica" dele, fabricado pela Knoll, foram distribuídos para os soldados da Wehrmacht.

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