Conheça a planta que pode tratar a dependência química

A iboga, juntamente com sessões de psicologia, pode ajudar dependentes de drogas e álcool a largar o vício, como mostra um estudo feito no Brasil

por Vinícius Andrade 24/09/2015 08:21

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Ibogatree.com/Reprodução
A iboga é uma planta típica da África, encontrada especialmente no Gabão, e tem propriedades que ajudam a eliminar o vício em drogas e álcool (foto: Ibogatree.com/Reprodução)
Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo associou o uso da ibogaína ao tratamento da dependência química. A substância é extraída da raiz da iboga, arbusto encontrado em países africanos, e foi testada em 75 pacientes viciados em drogas. Ao fim de um ano, 72% deles permaneceram longe dos entorpecentes. Vale ressaltar que o tratamento também incluiu sessões de psicoterapia. A pesquisa foi publicada no fim de setembro na revista científica britânica Journal of Psychopharmacology.

A planta iboga (Tabernantheiboga) é originária do Gabão e é considerada sagrada pela tradicional e antiga religião Bwiti. Segundo a bióloga Izabella Scalabrini, pofessora da PUC Minas, a ibogaína é capaz de eliminar a crise de abstinência do usuário, principalmente nos dependentes de opiáceos, cocaína, crack e álcool. Ela conta que a substância, purificada em pó, está sendo usada para tratar dependentes químicos, mas, somente o princípio ativo não garante a total eficácia do tratamento.

"Muitos fatores devem ser levados em consideração. Os pacientes tratados devem ser acompanhados por psicoterapeutas antes e após a administração da substância por um médico certificado e em hospital ou clínica autorizados", alerta a bióloga.

Izabella diz ainda que a conclusão a que se chegou com os estudos que vêm sendo realizados no Brasil é que o tratamento com ibogaína é eficaz e seguro desde que seja feito com acompanhamento médico e atendimento psicológico. A substância também precisa ser de boa procedência e ter dose adequada.

Pesquisa

O estudo da Universidade Federal de São Paulo foi feito com 75 usuários de drogas que consumiam principalmente crack. Inicialmente, eles foram submetidos a um tempo variável de psicoterapia e exames para verificar se o organismo havia condições propícias para receber o medicamento à base de ibogaína.

Para a administração do medicamento, que é feita por via oral, os pacientes ficaram internados por um período de até 48 horas. Nesse momento, os dependentes transitaram entre um estado de vigília e sonho.

Depois do período de internação, as pessoas foram para casa e ficaram sob acompanhamento psicológico e psiquiátrico por tempo variável. Depois de um ano, 72% dos pacientes alcançaram a abstinência. O sucesso entre as mulheres foi de 100%. Entre os homens, foi de 55%. Ao todo, foram analisados oito pacientes do sexo feminino e 64 do sexo masculino.

O medicamento usado no estudo é produzido no Canadá, país em que a ibogaína é aprovada e usada em tratamentos contra dependência química. No Brasil, não há uma regra que regulamente a substância, mas, caso ela seja receitada por um médico, pode ser importada.

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