Metade dos brasileiros concorda que 'bandido bom é bandido morto'

Socióloga atribui o resultado da pesquisa ao sistema judiciário do país e ao 'conservadorismo' de parte da população

por Marcelo Fraga 06/10/2015 08:51

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Osvaldo Ribeiro/SESP/Divulgação
Como mostra a especialista, a falta de confiança na justiça e o conservadorismo fazem com que as pessoas aceitem a execução de criminosos (foto: Osvaldo Ribeiro/SESP/Divulgação)
Uma pesquisa, realizada pelo instituto Datafolha e divulgada na segunda-feira, dia 5 de outubro, aponta que metade dos brasileiros acha correta a expressão "bandido bom é bandido morto". O estudo ouviu, no dia 28 de julho deste ano, 1.307 pessoas maiores de 16 anos, em 84 cidades brasileiras com população superior a 100 mil habitantes.

O resultado da pesquisa está relacionado com o modelo de justiça adotado no Brasil, que é reprovado pela população, como explica a socióloga Andreia dos Santos, professora do departamento de Ciências Sociais da PUC Minas. "Esses números mostram que a sociedade está insatisfeita com o sistema judiciário brasileiro. Os índices de criminalidade indicam que a maioria dos delitos cometidos não é julgada, deixando os infratores impunes. Isso quer dizer que o sistema é ineficiente", explica a especialista.

Outro aspecto apontado pela professora como determinante para o resultado do estudo realizado pelo Datafolha é a atual configuração do congresso nacional. Segundo ela, a maioria dos parlamentares "são conservadores e passam para a população a ideia de que matar os criminosos é a única forma de solucionar o problema da violência".

A socióloga Andreia dos Santos explica, ainda, que o conservadorismo do congresso refletido na sociedade causa problemas graves, como a legitimação de ações policiais violentas: "A polícia deveria ser apenas um componente do sistema judiciário, mas acaba se tornando primordial para a população. As pessoas acreditam que, se a justiça falha, a polícia resolve, matando. E isso é preocupante".

Para reverter a situação, a professora da PUC Minas diz que a solução está no desenvolvimento e na aplicação de políticas públicas mais eficientes, que possam, de fato, resolver o problema da criminalidade no país. "Dentre outras variáveis, é necessário investir em uma educação mais ampla, com foco na formação humana. As polícias também precisam ser mais bem treinadas e melhor equipadas", diz a socióloga.

Por fim, a especialista aponta a redução do "abismo social" como uma possível solução para reduzir os índices de criminalidade: "Atualmente, temos um quadro de desigualdade social muito grande e, quanto maiores as desigualdades, maior é a violência".

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