Vida selvagem progride na desolada região de Chernobil

Sem a influência negativa do ser humano, muitos animais estão conseguindo procriar na chamada área de exclusão, que foi criada após a explosão da usina nuclear em 1986

por João Paulo Martins 06/10/2015 18:02

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Tatyana Deryabina/Reprodução
Estudo inglês mostra que vida selvagem consegue progredir em região de exclusão do acidente de Chernobil que fica na Bielorússia (foto: Tatyana Deryabina/Reprodução)
Quando se fala em Chernobil, logo vem à mente uma região inóspita e perigosa, certo? Mas, quando os cientistas apresentaram o estudo mostrando que diversas espécies de animais conseguiram superar os problemas causados pelo acidente nuclear, e foram além, aumentando o número de indivíduos, deixaram muita gente de "boca aberta". As fotos divulgadas por pesquisadores ingleses comprovam que raposas, alces, veados, lobos e javalis estão vivendo livremente na chamada área de exclusão, que compreende uma região de mais de 2,5 mil km² envolvendo a Ucrânia e a Bielorússia, e que foi criada após a explosão da usina nuclear de Chernobil. Em 1986, o acidente na instalação, que fica em Pripyat, na parte ucraniana da antiga União Soviética, deixou 31 mortos e causou a evacuação de milhões de pessoas.

O curioso estudo foi publicado no periódico científico Current Biology, no dia 5 de outubro deste ano. Segundo os pesquisadores, algumas espécies, como os lobos, estão com uma população até sete vezes maior do que a que existia antes do acidente de Chernobil. Uma boa explicação para essa "efervescência" da vida selvagem, de acordo com Jim Smith, co-autor da pesquisa e professor da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, é o fim da ação humana, especialmente a caça e a urbanização "desenfreada".

Tatyana Deryabina/Reprodução
Sem a interferência humana, animais se multiplicaram na zona de exclusão de Chernobil, como esta família de alces, flagrada na Bielorússia (foto: Tatyana Deryabina/Reprodução)


"Quando se tira o fator humano da equação, a vida selvagem renasce. Isso é um reflexo de como é profundo o impacto causado pela humanidade em nosso ecossistema", diz o cientista.

Porém, o estudo inglês não levou em conta a saúde dessas espécies, já que é comum encontrar aves com má formação do bico e outros animais com diferentes tipos de tumores, tudo causado pela radiação que ainda está presente na área de exclusão. Vale ressaltar, também, que a vida selvagem analisada na pesquisa se encontra fora das chamadas "zonas quentes", que estão diretamente ligadas à região do acidente de Chernobyl.

"Nós não analisando a saúde de indivíduos, e sim, a saúde de populações de animais. Estamos lidando com um tipo de radiação diferenciado, e o que podemos dizer é que estamos confiantes de que a vida selvagem está muito melhor agora do que estava antes do acidente", completa Jim Smith.

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