Conversamos com Edson Sururu, que aos 42 anos é campeão mundial de jiu-jitsu

O 'mineiro de coração' fala sobre a carreira, sobre o mundo da luta e até casos de doping nesse esporte que vem ganhando cada vez mais repercussão pública

por Vinícius Andrade 13/10/2015 08:27

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Facebook/edsonjorge1/Reprodução
Edson Sururu fala sobre carreira e o mundo da luta: "Use a arte do jiu-jitsu para o bem, como uma filosofia de vida" (foto: Facebook/edsonjorge1/Reprodução)
Aos 42 anos de idade, o lutador Edson Jorge da Silva, mais conhecido como Sururu, está em plena forma. A experiência e a dedicação o levaram a conquistar  o campeonato mundial de jiu-jítsu, disputado em Las Vegas (EUA), nos dias 25 e 26 de setembro deste ano. Ele admite que não era o favorito, mas nunca deixou de acreditar em seu potencial. "Quando estou bem treinado, tenho condições de ganhar de qualquer um", destaca o atleta.

Capixaba de nascimento, Edson Sururu já se tornou mineiro de coração. Há 20 anos morando em Belo Horizonte, o lutador se formou em Educação Física e dá aula de jiu-jítsu numa academia da região nordeste da capital mineira. Em entrevista exclusiva à Encontro, ele fala sobre o título mundial, sobre a carreira e o mundo da luta.

REVISTA ENCONTRO – Por que as pessoas te conhecem como "Sururu"?
EDSON JORGE "SURURU" – É um apelido de capoeira, de quando era criança. Eu gostava muito de arrumar confusão em roda de capoeira. Na época tinha um samba do Bezerra da Silva que falava 'sururu formado', aí pegou. Mas, eu adoro meu nome: Edson Jorge.

Como foi a experiência da conquista do campeonato mundial?
Eu disputei a categoria Master, com pessoas acima de 30 anos. São lutadores experientes, que competiram a vida inteira, então, é um campeonato super difícil. Eu fiquei em 3º lugar na categoria absoluto [não utiliza o peso como base] e fui campeão na minha categoria, que é meio pesado.

E a repercussão dessa vitória?
Foi legal demais. Fiquei muito feliz com esse título e pretendo dar continuidade, porque os campeonatos não param. A galera está sempre competindo, muita gente 'dura'. O favorito era o cara que ganhou ano passado, mas ele saiu nas quartas-de-final. Quando estou bem treinado, tenho condições de ganhar de qualquer um. Consegui fazer meu jogo e, no final, deu tudo certo.

Quando você começou a lutar?
Comecei no judô com 9 anos de idade. Treinei por oito anos. Depois entrei na capoeira. Quando estava com 22 anos, passei para o jiu-jitsu e, agora, dou aula dessa arte marcial e de capoeira. Participei de oito lutas de MMA. Ganhei seis, empatei e perdi uma.

Você chegou a sonhar com o UFC?
Demais. Mas, eu acho que o tempo passou para mim. A última luta que eu fiz, no MMA, o garoto tinha 20 anos e eu estava com 40. Ganhei a luta, mas saí muito exausto. É muita tensão para pouco dinheiro. Para mim, a oportunidade no UFC apareceu um pouco mais tarde.

Muitas pessoas entram nas artes marciais para brigar e arrumar confusão. O que você pensa sobre isso?
Quem é profissional e vive disso, não vai fazer loucura na rua. O cara que é muito 'durão' na rua é considerado medroso nos ringues. Então, ele usa a luta para poder se defender de alguma coisa e acaba denegrindo a imagem de quem é atleta profissional e se dedica. Depende muito do professor também. Alguns são um perigo para a sociedade.

Grandes nomes do MMA estão envolvidos em casos de doping, como Anderson Silva e Vitor Belfort. Você acredita em um rigor maior nos exames ou os lutadores, realmente, tentam levar vantagem de forma ilícita?
Muitos tentam, mas, agora, está mais complicado. Hoje, é difícil manter o alto rendimento sem tomar hormônio ou alguma suplementação. O que aconteceu com o Anderson é que ele teve de tomar muitos produtos para poder recuperar e voltar a treinar, porque sofreu uma lesão muito séria. Eu não acredito que ele tenha tomado diretamente um anabolizante, mas algum suplemento que tinha uma composição que não era permitida. Não há condição de se sofrer uma lesão daquelas e voltar a treinar sem tomar nada. É muito difícil.

Alcançar o peso necessário é a maior dificuldade para o lutador?
O cara pesa 85 kg e quer lutar na categoria até 70. Quer perder 15 quilos para ficar mais forte, e lutar com um oponente mais baixo. Eu já perdi muito peso. A minha última luta no MMA foi 'fogo'. Chegou uma hora que não baixava mais o peso. Precisava bater 77 kg e eu estava com 77,6. Entrava na sauna e não aguentava mais. Não é legal. Faz mal para o atleta.

Depois que a televisão passou a dar mais visibilidade ao MMA, muita gente ficou focada no lado midiático da luta: dinheiro, fama e status. Você acha que isso ilude um pouco as pessoas?
Muitos ali não recebem tanto dinheiro. Só os campeões que ganham. Nem tudo é o que parece. Mas, para um cara que é novo, vale a pena investir. É prazeroso. É uma profissão boa para quem está novo. Mas, 'milhões' são apenas para os campeões.

Qual atleta do jiu-jitsu e do MMA você mais admira, atualmente?
Gosto muito do Rodolfo Vieira no jiiu-jítsu. No MMA, gosto muito do Rafael dos Anjos. Trocador, forte, tem um chão bom, luta muito bem.

Se algum aluno fosse imitar alguma conduta sua, qual gostaria que fosse?
A gratidão. Ser grato ao que as pessoas fazem por você, não tem preço.

Gostaria de deixar um recado para os jovens que desejam ingressar no mundo da luta?
Use a arte do jiu-jitsu para o bem, como uma filosofia de vida, porque ela é ótima, tanto física quanto mentalmente. É preciso ter disciplina e procurar levar a vida de frma saudável, sem uso de álcool, droga e sem 'baladas'. Ser um campeão do tatame ou do octógono, é fazer valer o que você aprendeu.

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