Senado aprova projeto que tipifica crime de terrorismo

A proposta gerou discussão no plenário, porque os contrários ao texto acham que a proposta pode atrapalhar futuras manifestações populares

por Da redação 29/10/2015 09:54

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pedro França/Agência Senado/Divulgação
Muitos senadores contrários ao projeto que tipifica o crime de terrorismo acham que o texto pode afetar as manifestações populares (foto: Pedro França/Agência Senado/Divulgação)
O plenário do Senado aprovou na quarta, dia 28 de outubro, o projeto de lei que tipifica o crime de terrorismo. O projeto foi aprovado na forma do substitutivo do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que gerou muita polêmica e mais de duas horas de debate entre os senadores.

Pelo texto aprovado, fica tipificado como terrorismo ato de "atentar contra pessoa, mediante violência ou grave ameaça, motivado por extremismo político, intolerância religiosa ou preconceito racial, étnico, de gênero ou xenófobo, com objetivo de provocar pânico generalizado". A pena de reclusão é de 16 a 24 anos.

O projeto estabelece também como "ato de terrorismo por extremismo político", quando o atentado for contra instituições democráticas. O texto especifica ainda os atos que podem ser caracterizados como terroristas, entre eles interromper serviços de comunicações, sequestrar aviões, provocar explosões propositais ou o uso de gás tóxico e material radiológico em prédios e locais com grande aglomeração de pessoas.

As penas podem ser agravadas por diversos motivos, entre eles se o ato causou morte, contou com auxílio de governo estrangeiro ou organização internacional criminosa. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.

Houve muito debate no plenário porque vários senadores demonstraram preocupação que movimentos sociais e mobilizações reivindicatórias em geral possam vir a ser caracterizados como extremismo político e seu atos tipificados como terroristas. "Esse projeto vulnerabiliza a luta social em nosso país", diz o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Uma das emendas apresentadas visava a ressalva dos movimentos sociais no texto, deixando claro que eles não se enquadrariam como organizações terroristas. A proposta foi assinada por senadores do PT, PSB, PSOL e Rede. "Nós vamos colocar uma mordaça nos mais humildes, que não têm um microfone para gritar sua dor. É esses que nós queremos proteger", afirma o senador Telmário Mota (PDT-RR) defendendo a emenda.

A oposição, no entanto, foi contra. "O cidadão não pode estar travestido de movimento social e, por isso, infringir as normas do estado democrático de direito", diz o líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO).

Todas as emendas foram rejeitadas, exceto uma que foi acatada pelo relator e que estende o conceito de terrorismo político para a prática de atentados contra o estado democrático, de forma a comprometer o funcionamento de suas instituições. O texto volta à Câmara dos Deputados, que poderá acatar as modificações do Senado ou retomar o projeto originalmente aprovado pelos deputados.

(com Agência Brasil)

Últimas notícias

Comentários