Papa Francisco quer avançar com reformas na Igreja

A decisão de Jorge Bergoglio vem após mais um escândalo de desvio de documentos do Vaticano

por Da redação 04/11/2015 13:24

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Sebastian Rodriguez/Gobierno de Chile/Divulgação
Novos documentos teriam sido vazados do Vaticano, expondo gastos desnecessários de cardeais, o que levou o papa Francisco a querer avançar na reforma da Igreja (foto: Sebastian Rodriguez/Gobierno de Chile/Divulgação)
O papa Francisco "está determinado" em avançar com as reformas na Igreja, depois do extravio de documentos sobre escândalos financeiros no Vaticano. A informação é do "número três" da Igreja Católica, Angelo Becciu, substituto da secretaria de Estado do Vaticano para Assuntos Gerais.

"Avancemos com serenidade e determinação", teria dito Jorge Bergoglio, de acordo com informação publicada na conta de Angelo Becciu no Twitter, após o novo escândalo de extravio de documentos confidenciais sobre desvio de fundos destinados aos pobres e doentes, para financiar o estilo de vida luxuoso de alguns cardeais. O escândalo ficou conhecido como Vatileaks 2.

O secretário-geral da Conferência dos Bispos Italianos, Nunzio Galantino, disse à rede de televisão TV2000 que o papa deve estar se sentindo traído no episódio que levou à detenção de dois suspeitos de extraviar informações e documentos: o religioso espanhol Lucio Angel Vallejo Balda, de 54 anos, e uma perita italiana, Francesca Chaouqui, de 33.

"Coloco-me no lugar do papa. Nenhum filho da Igreja pode ficar indiferente perante esses ataques", diz Galantino, sublinhando que "algumas pessoas têm claramente medo do processo de reformas que o papa está realizando".

Vallejo Balda continua detido, enquanto Francesca voltou a ser interrogada nesta quarta, dia 4 de novembro, depois de ter sido liberada ao garantir que vai cooperar com as autoridades. De acordo com a imprensa italiana, foram roubados dados do computador do controlador-geral de finanças do Vaticano, o italiano Libero Milone, que fora nomeado pelo papa Francisco em 5 de junho deste ano, para a reforma das finanças, e está encarregado de uma auditoria das contas do conjunto das administrações do estado do Vaticano.

Duas obras que vão ser publicadas em breve e prometem revelações sobre os casos financeiros do Vaticano são assinadas pelos jornalistas Emiliano Fittipaldi, do jornal L'Espresso, e Gianluigi Nuzzi, da Mediaset.

As publicações das obras remetem ao escândalo do sumiço de documentos, denominado Vatileaks, que marcou o fim do pontificado de Bento XVI, em 2012. As informações foram reunidas e publicadas pelo jornalista Gianluigi Nuzzi.

No comunicado, o Vaticano faz referência ao Vatileaks e sublinha a "grave traição de confiança" do papa, não excluindo a possibilidade de um processo pelo tribunal do Vaticano.

(com Agência Brasil)

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