Painel pró-impeachment de Dilma gera tumulto na Câmara

O painel que deveria receber assinaturas de deputados favoráveis ao afastamento da presidente foi retirado pela Polícia Legislativa e gerou revolta em alguns parlamentares

por Da redação 05/11/2015 12:01

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Thyago Marcel/Câmara dos Deputados/Divulgação
Pouco tempo após ser instalado, o painel pró-impeachment de Dilma Rousseff recebeu 45 assinaturas de deputados favoráveis à saída da presidente (foto: Thyago Marcel/Câmara dos Deputados/Divulgação)
Líderes de quatro partidos de oposição (PSDB, DEM, PPS e SD) fixaram na quarta, dia 4 de novembro, um painel com cerca de 6 m de largura por 2 m de altura, no salão verde da Câmara dos Deputados, para colher assinaturas de deputados que apoiam o início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Por volta das 17 horas, 45 parlamentares já haviam assinado o painel.

De acordo com os líderes do movimento, o objetivo é mostrar à população quais deputados apoiam publicamente o afastamento da presidente. Segundo eles, o "painel pró-impeachment" serve para pressionar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a concluir a análise de todos os pedidos de afastamento ainda sem despacho.

"É um ato das oposições, em consonância com a sociedade civil organizada, contra este governo corrupto e mentiroso. Não é um governo de coalizão, é um governo de cooptação", diz o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP).

Segundo Hugo Leal (Pros-RJ), vice-líder do governo, não há motivos para justificar a abertura de processo de impeachment de Dilma. "Há muita tranquilidade em relação à presidente da república. Não vejo nenhum dado consistente que possa comprometê-la, não há nenhum fato relevante; e, não havendo embasamento, não há como prosseguir esse tipo de processo", destaca. "É necessário haver provas líquidas e fortes; fora isso, o que existe é uma disputa política. Manifestações e cartazes não podem ser motivos de temor para nenhum parlamentar", conclui Leal.

Tumulto

Concluída a manifestação, o painel foi retirado do salão verde pela Polícia Legislativa por ordem do presidente Eduardo Cunha, com base no Ato da Mesa Diretora nº 69 de 2010, que regulamenta a afixação de cartazes e afins nas dependências internas e externas da casa. Antes da retirada, houve um tumulto com empurra-empurra e troca de ofensas entre parlamentares e manifestantes contrários e a favor do impeachment.

"Eu admiti a presença do painel apenas durante a manifestação, para que ele acontecesse, como aconteceu, de forma legítima. E determinei a retirada por entender que a casa, nem o seu salão verde, devem ser palcos permanentes de panfletos ou de qualquer coisa do gênero, seja para o lado A ou B", explica Eduardo Cunha.  "O que acontece é que foram executar a minha ordem na marra, antes da Polícia Legislativa, e isso também não posso aceitar. Então, vamos instaurar a sindicância devida para apurar os fatos e as imagens", acrescenta.

Cunha ressalta que apenas manifestações pacíficas são permitidas na casa. "Certamente, quem cometeu ato de violência vai responder pelas agressões. Se for funcionário, vai ser punido, talvez até possa vir a ser demitido se comprovada a participação em ato de violência", informa o parlamentar.

Durante a entrevista do presidente, um dos manifestantes atirou nele notas falsas de dólares, com a imagem de Cunha. Para o deputado, essa é uma ação isolada que não vai afetar a condução dos trabalhos na Câmara. "Fui agredido e vou instaurar sindicância para apurar", comenta Eduardo Cunha.

(com Agência Câmara)

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