Governo declara situação de emergência para microcefalia em Pernambuco

O problema é sério e faz com que crianças nasçam com o crânio menor

por Da redação 12/11/2015 08:33

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Um dos casos mais conhecidos de microcefalia no mundo é do americano Schlitze Surtees, que atuou em diversos filmes e circos de 'horrores' (foto: YouTube/Reprodução)
O Ministério da Saúde declarou na quarta, dia 11 de novembro, emergência em saúde pública de importância nacional para dar maior agilidade às investigações sobre o aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos em Pernambuco registrados desde agosto desse ano. Durante entrevista, o ministro Marcelo Castro informou que o número de casos no estado não passava de dez por ano, mas nos últimos quatro meses, 141 casos foram confirmados em 44 municípios.

"A microcefalia é uma anomalia congênita que se manifesta antes do nascimento e prejudica o desenvolvimento do cérebro dos bebês", diz o ministro. Castro explica que os bebês com o problema nascem com perímetro cefálico menor que o normal, ou seja, abaixo de 33 cm. "As sequelas são graves e associadas caso a caso", explica. Em 90% dos casos, as microcefalias estão associadas com retardo mental.

O diretor do departamento de Vigilância Epidemológica do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, diz que o ministério está acompanhando a situação desde o dia 22 de outubro, quando foi notificada pela secretaria de saúde do estado e dos municípios. Ele informa que uma esquipe de resposta rápida às emergências em saúde pública está em campo, fazendo investigações epidemiológicas, como revisão de prontuários e outros registros de atendimento médico da gestante e do recém-nascido, além de exames laboratoriais e de imagem.

Maierovitch afirma que ainda não é possível determinar a causa do aumento de casos da doença, que pode ser causada por substância químicas, agentes biológicos, como bactérias, vírus e radiação. "Nenhuma hipótese está sendo descartada", diz o especialista.

A recomendação do Ministério da Saúde é que as gestantes não usem medicamentos não prescritos e que façam um pré-natal qualificado e todos os exames previstos, além de relatarem aos médicos qualquer alteração que perceberem durante a gestação.

"Combinamos com o estado de Pernambuco de fechar semanalmente boletins com o balanço da situação", diz Maierovitch. Segundo ele, o ministério também está apurando ocorrências da doença nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte com base em relatos de profissionais de saúde dos estados, mas as secretarias estaduais de saúde ainda não têm os números organizados.

A situação já foi comunicada à Organização Mundial de Saúde e à Organização Pan-Americana de Saúde, conforme protocolos internacionais de notificação de doença.

(com Agência Brasil)

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