Sabia que é possível perder um dedo do pé de forma espontânea?

A doença extremamente rara faz com que o 'mindinho' ou o 'dedão' seja 'ejetado' do corpo

por Vinícius Andrade 13/11/2015 08:30

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Rb.org.br/Reprodução
A dactilose espontânea faz com que o 'mindinho' seja naturalmente 'ejetado' do corpo, após sofrer constrição, como mostra o raio-x (foto: Rb.org.br/Reprodução)
Imagine perder os dedos do pé sem motivo aparente. A ideia parece loucura, mas pode ser real. Trata-se da dactilose espontânea, uma doença extremamente rara, com registros iniciais na África e também conhecida como "ainhum". Este é um termo de origem angolana que significa serrar. O primeiro relato dessa patologia no Brasil foi de um quilombola, na Bahia, sendo descrito pelo médico José Francisco de Silva Lima em 1867.

De acordo com o ortopedista Daniel Baumfeld, professor assistente do departamento Locomotor da UFMG, a dactilose espontânea não possui uma causa específica, mas sabe-se que ela está relacionada à mistura entre genética e imunologia.

"Existe um tecido fibroso no quinto dedo do pé que, por algum motivo que a gente não consegue explicar, acaba chamando mais linfócitos para essa região. Essas células começam a destruir os pequenos vasos e o dedo acaba criando uma reabsorção óssea inflamatória. Com isso, há uma amputação espontânea do quinto dedo", explica o médico.

O problema começa com pequenas ulcerações na pele, por isso ele é confundido com diabetes. O diagnóstico é difícil, portanto, a doença evolui sem o tratamento específico. Segundo Daniel Baumfeld, normalmente, o paciente é visto como alguém que sofre com neuropatia, uma alteração de sensibilidade do sistema nervoso que leva à úlcera.

A doença não é contagiante e também não oferece risco de morte. O ortopedista ressalta que é um problema extremamente raro e que não deve causar medo na população. "É difícil encontrar 20 pessoas com essa doença no mundo. Os pacientes não perdem um braço ou uma perna, é apenas o quinto dedo do pé ['mindinho'] ou o grande dedo ['dedão'], mas sem grandes comprometimentos", destaca o especialista.

É possível salvar o dedo, mas somente quando o tratamento é feito na fase inicial. Os procedimentos mais comuns são incisões cirúrgicas para melhorar a vascularização, oxigenoterapia hiperbárica para facilitar o fluxo de oxigênio e descompressão do dedo. Porém, a maioria dos pacientes são orientados a amputarem a parte do corpo afetada.

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