Estados Unidos farão primeiro transplante de útero das Américas

O procedimento é considerado arriscado e a gravidez só é possível por meio da fertilização in vitro

por João Paulo Martins 16/11/2015 16:59

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WiseGeek/Reprodução
No transplante de útero, como o órgão não fica ligado às trompas de falópio, é necessário que a mulher faça a fecundação in vitro para conseguir engravidar (foto: WiseGeek/Reprodução)
A academia de ciências médicas Cleveland Clinic, dos Estados Unidos, está se preparando para realizar o primeiro transplante de útero fora da Europa, e o segundo do mundo – até agora o arriscado procedimento só foi realizado na Suécia. Segundo o jornal The New York Times, a cirurgia está programada para ser feita nos próximos meses e terá caráter experimental, com riscos ainda desconhecidos.

Apesar de parecer estranho (e antiético para alguns), pois não envolve necessidade emergencial do receptor, o transplante de útero pode ajudar mulheres que possuem problemas de infertilidade de fator uterino, ou seja, nasceram sem o órgão ou o removeram por meio da histerectomia. As candidatas a receber um útero, de acordo com a Cleveland Clinic, precisam ter entre 21 e 45 anos, mas, as que estiverem acima dos 40, devem possuir embriões congelados e que sejam datados de quando tinham menos de 39 anos. Isso tudo para garantir a eficiência da fertilização in vitro.

Como mostra a matéria do The New York Times, ao contrário do procedimento realizado na Suécia, em que úteros foram doados por mulheres vivas, o transplante americano vai envolver a retirada do órgão de uma pessoa já falecida. Essa decisão se deve aos riscos associados à remoção do útero, que pode causar danos à doadora, além de ser uma cirurgia que pode demorar até 11 horas.

Após receber o novo órgão, a única forma da mulher conseguir gerar um bebê é por meio da fertilização in vitro. Segundo a academia médica, ao contrário de um corpo normal, o útero transplantado não está ligado às trompas de falópio, local em que ocorre a fecundação do óvulo durante o ato sexual. Além disso, após o transplante, será preciso esperar um ano para a inserção do embrião, e a criança terá de nascer de cesariana, para se evitar danos físicos ao novo órgão.

Após enfrentar os riscos do procedimento, a mulher transplantada ainda terá de tomar imunossupressores para evitar a rejeição do útero, e ainda não se sabe como isso pode afetar a gestação – apesar de que estudos anteriores mostraram que esses medicamentos, em pessoas que realizaram transplante de rins, não geraram efeitos negativos durante a gravidez. Os pesquisadores recomendam ainda que se tenha no máximo dois filhos e, após o segundo parto, seja feita a histerectomia do órgão transplantado, para que se paralize o uso dos imunossupressores.

Médicos ingleses também pretendem realizar o procedimento em 2016 e, para tanto, precisam arrecadar 500 mil libras (R$ 2,9 milhões) para dar início à pesquisa.

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