Departamento Nacional de Produção Mineral: há risco de rompimento das barragens

Em audiência na Câmara, DNPM diz estar preocupado com condição das barragens Germano e Santarém em Mariana

por Da redação 19/11/2015 15:00

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Corpo de Bombeiros MG/Divulgação
Em audiência realizada na Câmara dos Deputados, Departamento Nacional de Produção Mineral confirma risco de rompimento das barragens Santarém e Germano, em Mariana (foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação)
O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) confirmou que há risco de rompimento das barragens de Santarém e dos diques de Sela, Selinha e Tulipa – estruturas da barragem de Germano –, em Mariana (MG). A informação foi divulgada na quarta-feira, dia 18 de novembro, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

"Temos que nos precaver", diz o diretor de Fiscalização do DNPM, Walter Arcoverde. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro de Mariana, Ronaldo Alves Bento, também confirma que existe iminente risco de rompimento. "Tem gente que não foi desmobilizada em Barra Longa e outros distritos. Temos que nos preocupar, sim, com um plano de ação".

Há 12 dias, uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco – controlada pela Vale e pela BHP – se rompeu e destruiu o distrito de Bento Rodrigues, deixando mais de 600 moradores desabrigados.  Sete mortos foram identificados, quatro corpos aguardam identificação e 12 pessoas permanecem desaparecidas. Na terça, dia 17, a Samarco admitiu o risco de rompimento das duas barragens.

Segundo os participantes da audiência, a mineradora não avisou aos moradores atingidos sobre o que estava ocorrendo, o que impediu a fuga de vítimas. "Ninguém foi avisado. A barragem começou a romper duas horas antes e daria tempo para avisar todo mundo. Eles tinham o celular de todo mundo e não avisaram ninguém. A preocupação deles era só com o lucro que estava tirando dali, consideravam a gente lixo", reclama Rosilene Gonçalves da Silva, moradora de Bento Rodrigues.

Decreto polêmico

A subprocuradora da república, Sandra Cureau, aproveitou para criticar o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff que acrescentou o rompimento de barragens à lista de "desastres naturais", para fins de saque do saldo do FGTS pelos atingidos.

"Isso pode ser usado pela Samarco para dizer que não deu causa ao desastre. Se foi natural, não é responsabilidade de ninguém. A presidente não pode editar um decreto dizendo que um quadrado é redondo, que uma laranja é azul. Esse desastre não é natural", diz Sandra.  "Não será o povo brasileiro, por meio de seus impostos, que vai pagar pelo desastre que a Samarco, com a sua negligência, causou", completa.

Em sua conta oficial no Twitter, a Casa Civil chegou a afirmar que o decreto tem como objetivo beneficiar os atingidos com o saque do FGTS. "De forma alguma, exime as empresas responsáveis pela reconstrução das moradias dos atingidos ou do pagamento de qualquer prejuízo individual ou coletivo; haja visto o processo de apuração em andamento e as multas já aplicadas pelo Ibama".

(com Agência Brasil)

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