Especialista fala como os pais devem lidar com a tão temida birra infantil

Esse comportamento da criança, segundo a educadora, é normal e deve ser tratado de forma calma e sem retaliações. Confira a entrevista

por Encontro Digital 06/01/2016 08:24

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'É importante também não se esquecer de premiar as atitudes adequadas', diz a escritora e educadora Tania Zagury, sobre as birras infantis (foto: Pixabay)
A birra infantil põe à prova a paciência dos pais, cuidadores e educadores. Por mais difícil que seja para o adulto lidar com ela, algumas atitudes são importantes, como não demonstrar estresse ou ansiedade.

Esse é o conselho da filósofa, educadora e escritora Tania Zagury, que é professora do curso de Edeucação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e já publicou mais de 25 livros.

Confira a entrevista da especialista à Fundação Maria Cecília Souto Vidigal sobre a tão temida birra:

FMCSV – Existe uma fase da infância em que a birra é natural, fazendo parte do processo de desenvolvimento? O que ela indica?
TANIA ZAGURY – A birra é uma forma de expressar insatisfação. De modo geral, a criança pequena a utiliza para demonstrar raiva ou frustração, já que, até por volta dos três anos, ela ainda não dispõe de outras ferramentas para demonstrar tais sentimentos. A partir dessa etapa, no entanto, o evento 'birra' precisa ser gradativamente substituído por outros meios de comunicar frustrações. Para isso, é importante que fique claro para a criança que essa forma de comportamento não leva aos resultados desejados. Se isso não ocorrer, é sinal de que os adultos não estão atuando de maneira eficiente.

Na creche ou pré-escola, quando uma criança faz birra, de que forma o educador deve agir?
Os educadores (pais, professores ou cuidadores) precisam levar a criança a compreender que a birra ou chilique não é a maneira adequada de ela conseguir o que deseja. Surte mais efeito se essa clareza for passada por meio de atitudes e não de palavras.

Como os pais podem ajudar a criança em momentos assim, sem mimá-la ou reprimi-la de maneira inadequada?
O ideal é deixar a criança 'ter o chilique' e não demonstrar estresse ou ansiedade. Se preferir dar uma explicação, que seja uma apenas. E não precisa gritar, mesmo que a criança esteja berrando. O ideal é falar em tom normal, mas firme: 'Isso não está certo. Vou esperar passar, depois a gente conversa', ou algo do gênero. E só uma vez mesmo! Em casa ou na escola a preocupação deve ser a de afastar objetos com os quais a criança que se joga ao chão, por exemplo, possa se machucar. Quando ela parar com o 'ataque', aja como se nada tivesse acontecido, mas mantenha a atitude que gerou a birra. Se você a proibiu de pegar um objeto, ele continuará proibido, caso contrário, a criança terá razões para pensar que vale a pena adotar o chilique. Em pouco tempo ela entenderá que a estratégia não funciona.

O que você acha de atitudes como bater, colocar de castigo (ficar quieto em um canto por determinado tempo), tirar coisas da criança de que ela gosta para puni-la, como estratégias para impor limites?
Todo ser humano precisa compreender que a sociedade é regida por regras, leis e por um conjunto de normas éticas. E ele só aprende essa coisa, que parece óbvia, quando passa pela experiência da aprovação/reprovação e também pela premiação/sanção. São os termos que prefiro. Quando uma criança burla regras que foram instituídas pela primeira vez – seja em casa ou na escola – deve ser repreendida, sim, porém, mais do que repreendida, precisa ser alertada para o fato de que tal ou qual atitude não é aprovada pelo grupo. Se, apesar de esclarecida e orientada, ela continuar a não respeitar as regras, só mudará se sentir que há 'um certo preço a pagar'. São as sanções educacionais, como gosto de chamar. Bater jamais é sanção justa. O ideal é tirar algo, como uma sessão de cinema ou o tempo maior que se dá a ela no fim de semana para os joguinhos eletrônicos etc. É importante também não se esquecer de premiar as atitudes adequadas – mas não com presentes materiais, e sim usando elogios e carinho. Enfim, formas de mostrar aprovação a certas atitudes e desaprovação a outras. É assim que se começa a compreender o que é lei, o que é sociedade e a vida em comum.

O que mais é importante os educadores saberem sobre a birra?
É essencial que saibam que todo o trabalho feito irá por água abaixo se houver atitudes diferentes entre as pessoas que cuidam da criança. Aí, as birras certamente demorarão muito a desaparecer.

(com Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e Portal EBC)

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