Lama vista em Abrolhos pode ser da barragem de Mariana, diz Ibama

Órgãos de defesa do meio-ambiente estão monitorando as águas do mais importante arquipélago da costa brasileira

por Encontro Digital 08/01/2016 08:49

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Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação
"O sobrevoo da região [Abrolhos] por especialistas leva a crer que a origem da mancha é a lama de rejeitos da Samarco", diz Marilene Ramos, presidente do Ibama (foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Divulgação)
Os presidentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marilene Ramos, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Claudio Maretti, informaram na quinta, dia 7 de janiero, em entrevista coletiva, que estão monitorando uma mancha no oceano que chegou à região sul da Bahia e já atingiu o parque nacional Marinho dos Abrolhos, local com maior biodiversidade de corais do Atlântico.

De acordo com a presidenta do Ibama, a mancha está sendo associada à lama de rejeitos de mineração da Samarco, que está concentrada na foz do rio Doce. A mancha vinha se espraiando no último mês para o sul do litoral do Espírito Santo, mas, nos últimos dois dias, devido às fortes chuvas na área, passou a se espalhar também na direção norte do estado.

"O sobrevoo da região por especialistas leva a crer que a origem dela [mancha] é a lama de rejeitos da Samarco e, por isso, já notificamos a empresa [Samarco] para realizar coletas e avaliar se é de fato a lama despejada no rio Doce", diz Marilene Ramos.

Ela informa que a coleta das primeiras amostras foi feita na quinta e que os resultados devem sair em até 10 dias.

Impactos

O presidente do ICMBio, Claudio Maretti, destaca que o santuário de Abrolhos, no município de Caravelas (BA), é uma das áreas mais importantes do litoral do Brasil do ponto de vista científico e turístico. Ele informa que, por enquanto, não há nenhuma restrição a visitação nas praias do sul da Bahia até a região de Porto Seguro. Maretto diz ainda que não é possível prever até onde a lama pode chegar e quanto tempo vai levar até que seja totalmente diluída.

Segundo Maretti, o impacto ambiental causado pela mancha na biodiversidade da região será avaliado com muito cuidado e pode levar tempo para ser totalmente conhecido. "O dano imediato é a redução da produtividade da vegetação marinha, fitoplanctons e corais, o que causa prejuízo para a vida marinha. É como se eu cobrisse a Mata Atlântica ou a Amazônia com uma fumaça que dificultasse a realização de fotossíntese", explica. Maretti afirma que os impactos serão sentidos a longo prazo e que especialistas não descartam a possibilidade de extinção de corais, mas até agora não verificaram aumento no número de mortes de peixes e aves marinhas.

(com Agência Brasil)

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