'Não existe neste país uma viva alma mais honesta do que eu', diz Lula

Em entrevista a blogueiros, o ex-presidente critica as insinuações de que estaria envolvido em supostos crime de corrupção

por Encontro Digital 20/01/2016 17:11

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Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação
"O PT nasceu justamente para mudar a lógica da política dos partidos tradicionais", diz o ex-presidente Lula (foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta, dia 20 de janeiro, que não existe "uma viva alma mais honesta do que eu" ao responder denúncias de envolvimento dele em esquemas de corrupção. "Se tem uma coisa de que me orgulho e que não baixo a cabeça para ninguém é que não existe nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da igreja evangélica, nem dentro o sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido", afirma em uma entrevista de cerca de três horas concedida a blogueiros na sede do Instituto Lula, em São Paulo.

Para Lula, são remotas as chances de que ele seja indiciado nos processos que apuram corrupção na Petrobras e outras estatais. "Não há nenhuma possibilidade de uma ação penal, a não ser que seja uma violência contra tudo o que se conhece neste país", enfatiza. "O próprio [juiz Sérgio] Moro já disse que eu não sou investigado", diz, em referência ao magistrado que conduz os processos relativos a operação Lava Jato.

O ex-presidente critica a publicação de "mentiras" contra ele e sua família nos meios de comunicação. "O meu filho Fábio, o que fazem com ele é uma violência", diz também em relação aos boatos espalhados nas redes sociais.

Por isso, Lula comenta que pretende processar sempre que forem publicadas inverdades contra ele na imprensa. "Tudo o que os advogados entenderem que é possível abrir processo, eu vou abrir processo", destaca. As ações judiciais serão, segundo o ex-presidente, direcionadas diretamente aos autores dos artigos e reportagens. "Tudo o que os advogados entenderem que é possível abrir processo, vou abrir processo".

Dirceu

Na entrevista, Lula também defendeu o ex-ministro José Dirceu. Segundo Lula, Dirceu foi um dos responsáveis pelo espaço conquistado pelo PT na política brasileira. "O companheiro Zé Dirceu pode ter cometido um erro. Mas a gente tem que saber que o companheiro Zé Dirceu é um dos responsáveis pela grandeza desse partido. O Zé foi um belo de um presidente [do partido]. O [José] Genoino foi um extraordinário presidente desse partido", diz.

Genoino e Dirceu foram condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Além de presidente do PT, Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil durante o primeiro mandato de Lula (2003-2006). No final do ano passado, ele foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no esquema de superfaturamento de contratos da Petrobras. Para a força-tarefa da Lava Jato, o ex-ministro foi o "criador" e "beneficiário" das fraudes em contratos da estatal.

Segundo Lula, o PT repetiu práticas que pretendia mudar quando chegasse ao poder. "O PT errou, cometeu práticas que nós condenávamos. O PT precisa perceber que nós não nascemos para ser igual aos outros partidos políticos. O PT nasceu justamente para mudar a lógica da política dos partidos tradicionais", afirma.

Porém, o ex-presidente acredita que o partido passa por um processo de "criminalização", onde são levantadas suspeitas até sobre doações legais de campanha."O que eu acho grave é o seguinte é que todos os partidos receberam dinheiro das mesmas fontes. Se você pegar a prestação de contas dos partidos políticos, você vai perceber que os empresários são os mesmos para todos os partidos".

Lula conclama os militantes do PT a defenderem nomes do partido, que têm sido apontados como integrantes dos esquemas de corrupção. "Enquanto não for comprovado que o cara cometeu erro, tem que estar do lado do meu companheiro. Que história é essa do cara cair na água e eu deixar ele morrer afogado? Não! Se eu puder ajudar, eu vou ajudá-lo".

(com Agência Brasil)

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