China está desfalcando o futebol brasileiro

Até agora, 31 jogadores brasileiros foram levados para times chineses

por Encontro Digital 22/01/2016 08:55

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Bruno Cantini/Clube Atlético MG/Divulgação
O atacante Diego Tardelli se tornou um dos maiores ídolos do Atlético-MG, conquistando a Libertadores de 2013, e, em 2015, foi vendido para um time da China (foto: Bruno Cantini/Clube Atlético MG/Divulgação)
Já há alguns anos, a China figura como o país que mais importa produtos brasileiros. Só em 2015, os negócios movimentaram mais de R$ 35 bilhões. Soja, minério e carne foram alguns dos produtos mais vendidos pelo Brasil. Porém, outra matéria-prima vem chamando atenção dos chineses: o futebol. Segundo dados da CBF, nada menos do que 31 jogadores brasileiros deixaram o país rumo ao oriente em 2014 e 2015.

Neste começo de 2016, o apetite chinês pelo esporte nacional só cresce. Alguns dos principais jogadores do Corinthians, campeão brasileiro de 2015, foram os principais alvos dos orientais: Jadson, Renato Augusto, Gil e Ralf. Outros jogadores de renome também tomaram o rumo do oriente: Luís Fabiano (ex-São Paulo) e Geuvânio (ex-Santos) foram alguns deles.

Para o economista Luis Paulo Rosenberg, ex-vice-presidente do Corinthians, vários fatores têm contribuindo para a ação chinesa no mercado brasileiro. "O primeiro motivo para esta ascensão é que os jogadores brasileiros hoje estão 40% mais barato com a desvalorização do real. Ai nenhum clube consegue segurar os salários pagos pelos chineses", afirma.

O economista também aponta que há um projeto do governo da China para o desenvolvimento do futebol no país socialista. "O presidente Xi Jinping é um entusiasta do futebol e criou um programa de incentivo para o desenvolvimento do esporte no país". Ele também chama atenção para o investimento de grandes empresas chinesas no esporte: "Os clubes funcionam como vitrines para essas grandes empresas e o investimento para compra de jogadores não pesam no orçamento delas".

Com todo esse poder de fogo, Luís Paulo Rosenberg avalia que o futebol e a economia brasileira não têm condições de concorrer com os maiores mercados do mundo. Para ele, é necessário seguir investindo na formação de novos atletas para compensar a saída dos craques. "Os clubes têm que aprender a ser uma máquina de produção e de venda de jogadores. É como uma locadora de veículos, ele precisa alocar os carros e renovar sua frota anualmente para disputar o mercado".

Futebol ainda precisa evoluir

Apesar de "tomar" de assalto dúzias de jogadores brasileiros, os resultados dentro de campo ainda mostram que os times chineses ainda têm que evoluir muito se quiserem chegar à elite do futebol. O Tianjin Quanjian, com Jadson e Luís Fabiano no time, perdeu os dois jogos que disputou até o momento: 2 a 1 para o XV de Piracicaba (time sem divisão no Brasil) e foi goleado por 4 a 0 pelo Bragantino (Série B).

Se na pré-temporada brasileira, os chineses têm acumulado derrotas, pelo menos dentro do continente os times já deram mostras de evolução. Em 2013 e 2015, o Guangzou Evergrande conquistou o título continental e participou do Mundial de Clubes da Fifa. Em 2015, o time conseguiu derrotar o América (MEX) nas quartas de final e caiu apenas contra o Barcelona.

Para o jogador Renato Calixto que joga no Guangzou R&F (da mesma cidade do campeão continental), o futebol no país está no caminho certo para o crescimento. Renatinho (que já passou pelo futebol japonês) acredita no crescimento do esporte no país: “Com os jogadores estrangeiros, a cada ano o campeonato vai ficar mais forte, mais disputado e os olhares dos países vão se voltar para a China”.

Renatinho também diz que os torcedores estão começando a se interessar no país. “A torcida ainda está desenvolvimento. Não é um bom publico como no Japão, por exemplo. Mas alguns times já têm bastante torcedores”, conta. Em 2015, a média de público da Super Liga da China foi de 22 mil pessoas. Vale lembrar que no Brasileirão 2015, a média foi de 17 mil pessoas.

Sobre a seleção chinesa, Renatinho acredita que o país deve chegar a uma Copa do Mundo em breve. “Trazendo os estrangeiros, eles estão fortalecendo os jogadores chineses. Acho que em breve disputarão uma Copa do Mundo também. A única vez que a China disputou uma Copa foi em 2002, quando Japão e Coreia do Sul não disputaram as eliminatórias por sediarem o Mundial. À época, o time ficou em 31º lugar entre 32 seleções.

Confira a lista de jogadores que deixaram o Brasil para jogar na China em 2014 e 2015:

Shandong Luneng

  • Aloísio (São Paulo – SP)
  • Montillo / Argentino (Santos – SP)
  • Júnior Urso (Coritiba – PR)
  • Diego Tardelli (Atlético – MG)

Chongqing Lifan

  • Luiz Eduardo (Bragantino – SP)
  • Lincom (Bragantino – SP)
  • Elias (Bragantino – SP)
  • Jael (São Caetano – SP)

Guangzhou Evergrande

  • Renê Júnior (Santos – SP)
  • Ricardo Goulart (Cruzeiro – MG)
  • Robinho (Santos – SP)

Tianjin Teda

  • Lucas Fonseca (Bahia – BA)
  • Barcos / Argentino (Grêmio – RS)
  • Wagner (Fluminense – RJ)

Neimenggu Zhongyou

  • William Paulista (Sampaio Corrêa – MA)
  • Dorielton (Fluminense – RJ)

Qjngdao Jonoon

  • Reis (Oeste – SP)
  • Rogerinho (Paysandu – PA)

Guizhou Renhe

  • Hyuri (Audax – RJ)

Harbon Yiteng

  • Dorielton (Fluminense – RJ)

Jiangsu Santy

  • Elias (Resende – RJ)

Jiangxi Liansheng


  • Demerson (Bahia – BA)

Shanghai Shenhua

  • Paulo André (Corinthians – SP)

Shanghai Sipg

  • Conca / Argentino (Fluminense – RJ)

Shenzhen

  • Bruno Coutinho (Veranópolis – RS)

Changchun Yatai

  • Marcelo Moreno / Boliviano (Grêmio – RS)

Tianjin Songjiang

  • Nei (Boa Esporte – MG)

Wuhan Zall

  • Tássio (Bragantino – SP)

Xinjiang Tianshan

  • Rafael (Bahia – BA)

Zhejiang Greentown

  • Anselmo Ramon (Cruzeiro – MG)

(com Agência Brasil)

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