Campanha esclarece limites entre 'paquera' e 'assédio'

A intenção é mostrar como as mulheres são vítimas de assediadores durante a festa de Carnaval

por Encontro Digital 01/02/2016 16:53

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Ionaldo Rodrigues/Agência Pará/Divulgação
De olho nos festejos de Carnaval, grupos que lutam pelos direitos das mulheres lançam campanha para esclarecer a diferença entre assédio e paquera para os homens (foto: Ionaldo Rodrigues/Agência Pará/Divulgação)
Beijos à força, puxões no cabelo, passadas de mão e outras investidas sem consentimento não podem ser encaradas como parte do Carnaval. Com o objetivo de acabar com o clima de vale-tudo na folia, a revista AzMina, em parceria com os movimentos #AgoraÉQueSãoElas, Vamos Juntas?, Bloco das Mulheres Rodadas e Catraca Livre, lançou um guia didático com as diferenças entre "paquerar" e "assediar". A ação faz parte da campanha #CarnavalSemAssédio.

A diretora-executiva da revista AzMina, Nana Queiroz, explica que a campanha é um grito por mudança e tem várias frentes, desde a conscientização virtual até ações no mundo real. "A campanha é uma parceria entre várias mulheres incríveis de vários grupos e coletivos que cansaram de ter que passar raiva e medo durante o Carnaval e decidiram agir. Nós não queremos mais dançar olhando pros lados para ver se alguém vai pegar na nossa bunda sem permissão", desabafa.

O guia divulgado nas redes sociais mostra que ações como uma "cantada", uma piadinha machista ou uma puxada no cabelo são todas assediosas.

Nana Queiroz indica que os homens leiam o guia para identificar as diferenças entre a paquera e o assédio para não serem "canalhas" no Carnaval. "É meio revoltante que ainda tenhamos que explicar pra marmanjos crescidos como é que se brinca de paquerar, mas essa é a maneira mais eficiente que encontramos de mudar esse quadro", diz a ativista.

Confira abaixo dois materiais da campanha contra o assédio:
#CarnavalSemAssédio/Reprodução
(foto: #CarnavalSemAssédio/Reprodução)

#CarnavalSemAssédio/Reprodução
(foto: #CarnavalSemAssédio/Reprodução)


Para os idealizadores da campanha, o assédio faz parte do cotidiano da mulher desde o metrô até o trabalho, mas no Carnaval existe uma extrapolação dessa cultura machista que defende que o importa na folia é acumular os números de bocas beijadas. Nana aconselha que as mulheres saiam para se divertir acompanhadas e levem apitos para denunciar condutas indevidas.

Quebra de silêncio

O trabalho feminista da jornalista começou há dois anos com o Não Mereço Ser Estuprada e ficou ainda mais forte com a criação da Associação AzMina de Jornalismo Investigativo, Cultura e Empoderamento Feminino no ano passado. "É reconfortante ver, a cada dia, como muitas mulheres nos escrevem dizendo que suas vidas foram transformadas ao quebrar o silêncio sobre o estupro que sofreram ou por terem entendido que o que o chefe fazia era assédio, por exemplo", complementa Nana.

(com Portal EBC)

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