Estudo americano revela ligação entre zika vírus e microcefalia

Apesar de não ser uma comprovação da relação entre os dois problemas, ele ajuda a esclarecer a ação do vírus no sistema neural do feto

por João Paulo Martins 04/03/2016 16:33

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A professora Guo-li Ming faz parte do grupo de cientistas que descobriu a ação do zika vírus nas células que formam o córtex cerebral (foto: YouTube/Reprodução)
Cientistas americanos divulgaram nesta sexta, dia 4 de março, um estudo que traz a primeira prova científica que reforça a ligação biológica entre o zika vírus, que se tornou uma séria epidemia na América Latina, com a microcefalia em recém-nascidos.

Segundo Guo-li Ming, professora de neurologia na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, do estado de Maryland, nos Estados Unidos, e uma das responsáveis pelo estudo, que foi publicado no site do periódico científico Cell Stem Cell, os testes de laboratório revelam que o vírus atinge as principais células envolvidas no desenvolvimento do cérebro, destruindo-as ou desativando-as.

"Estudos de fetos e bebês com dimensões pequenas do cérebro e do crânio, causadas pela microcefalia, em áreas afetadas pelo zika, encontraram anomalias no córtex cerebral e exemplares do vírus no tecido fetal. Nosso estudo não é a prova definitiva de que o zika vírus causa microcefalia, mas é importante para mostrar que as células do córtex são potencialmente suscetíveis à doença e o desenvolvimento delas pode ser interrompido pelo vírus", explica Guo-li Ming, em matéria publicada no site oficial da Johns Hopkins.

Vale lembrar que a microcefalia é um distúrbio de desenvolvimento fetal que resulta em um perímetro do crânio infantil menor que o normal, com sérias consequências no desenvolvimento do bebê.

De acordo com o estudo americano, três dias após as células geradoras de córtex neural terem sido expostas ao zika vírus, 90% delas foram infectadas e enganadas para que produzissem novas cópias do micro-organismo invasor. Além disso, a maioria das células morreu e as que restaram não foram capazes de se reproduzirem.

Os cientistas esperam que essa informação ajude a criar tratamentos específicos para mulheres grávidas que tenham sido infectadas pelo zika, para inibir o ataque do vírus ao sistema neural do feto.

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