Presidente do PT critica divulgação de conversa telefônica entre Dilma e Lula

Rui Falcão diz que o ato do juiz Sério Moro é um 'absurdo'

por Encontro Digital 17/03/2016 09:13

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Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Reprodução
Divulgação de conversa telefônica entre Dilma e Lula, após a condução coercitiva do ex-presidente, feita pelo juiz Sérgio Moro, é criticada por Rui Falcão (foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Reprodução)
O presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, disse que considera um "absurdo" a divulgação da conversa entre a presidente Dilma Roussef e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O juiz Sérgio Moro, que julga os processos da Operação Lava Jato em primeira instância, divulgou na quarta, dia 16 de março, conversas gravadas de Lula.

A declaração de Rui Falcão ocorreu no Ato pela Legalidade Democrática, que reuniu pessoas a favor do governo no teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ainda na noite de quarta. Ele comparou o evento às manifestações da campanha das Diretas Já e à luta pela anistia.

"Hoje, nós estamos vivendo uma espécie de estado de exceção dentro do Estado Democrático de Direito e a maior prova é hoje: acabam de revelar, em um vazamento autorizado pelo juiz Moro, um grampo telefônico de uma conversa da presidenta da república com o ministro-chefe da Casa Civil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz Rui Falcão. Segundo ele, o ato vem em defesa da democracia, contra o golpe e contra violações à Constituição.

Ouça o polêmico áudio da conversa entre Dilma e Lula:


Semelhanças com 1964

O jurista Fábio Konder Comparato, que discursou no ato realizado na PUC São Paulo, comparou a situação atual à que precedeu a ditadura militar no país. "Estamos sofrendo uma doença muito grave, semelhante àquela que acometeu o país em 1964. Diante de uma doença, é preciso superar a análise dos sintomas e verificar as causas".

Segundo Comparato, existem duas causas imediatas para a crise atual. A primeira seria econômica. "A situação econômica do Brasil é periclitante e não é por causa do governo brasileiro e sim por um reflexo da crise mundial", avalia o jurista. De acordo com ele, a segunda maior economia do mundo, a China, no ano passado teve o menor crescimento dos últimos 25 anos.

Outra questão que abrange a economia seria a transformação do capitalismo industrial em capitalismo financeiro. "Nós todos sabemos que um banco não produz riqueza alguma. No máximo ele pode ajudar a produzir riqueza, mas não é o que está acontecendo agora. Os bancos ganham rios de dinheiro com especulações financeiras", diz Comparato.

A segunda causa imediata é política, disse o jurista. "É preciso entender que em um país que teve quase quatro séculos de escravidão legal, o desprezo pelos pobres, sobretudo pelos pobres negros, dificilmente acabará", diz ao avaliar que Lula, que veio da classe proletária e assumiu a chefia do Estado, sofre preconceito de parte da população.

Solução?

Para se resolver a crise, segundo o jurista, é preciso um trabalho a longo prazo. "É preciso unir o máximo de forças sociais, movimentos sociais, sindicatos, grupos intelectuais e religiosos no combate contra o capitalismo". Um dos objetivos, segundo Comparato, é tornar o povo soberano sobre o próprio país e que não se submetam à dominação das classes oligárquicas. "Neste país, não é o povo soberano, como diz a Constituição, soberanos são os potentados econômicos privados, intimamente ligados com agentes estatais".

Comparato ressalta a importância dos meios de comunicação para promover a educação política da sociedade. Desse modo, o povo estaria preparado para "o exercício futuro do poder político". "Em uma sociedade de massas, isso só se faz pelos meios de comunicação de massa". Ele lamenta, porém, que esses meios de comunicação de massa, no Brasil, estejam submetidos a um oligopólio empresarial.

(com Agência Brasil)

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