Saiba porque Sérgio Moro citou o caso Watergate

Esse nome diz respeito à investigação feita contra o ex-presidente americano Richard Nixon, em 1974, e que levou à sua renúncia

por Encontro Digital 18/03/2016 10:37

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Ivn.us/Reprodução
O então presidente americano Richard Nixon foi alvo de uma grave denúncia em 1974, no caso chamado Watergate, e acabou renunciando ao mandato (foto: Ivn.us/Reprodução)
O juiz federal Sérgio Moro citou na quinta, dia 17 de março, em despacho, o caso Watergate para justificar o uso do grampo de ligação telefônica entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa teria sido gravada na quarta, dia 16, após o anúncio de Lula como ministro-chefe da Casa Civil e da decisão do juiz de determinar a paralisação das escutas pela Polícia Federal, porque o ex-presidente passaria a ter foro privilegiado.

O caso Watergate, que levou à renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, em 1974, foi citado para justificar que o presidente da República não tem garantia absoluta da privacidade de suas ligações. "Nem mesmo o supremo mandatário da República tem um privilégio absoluto no resguardo de suas comunicações, aqui colhidas apenas fortuitamente, podendo ser citado o conhecido precedente da Suprema Corte norte-americana em US v. Nixon, 1974, ainda um exemplo a ser seguido", afirma Moro.

Além disso, Moro esclarece que ele não monitorou as ligações de Dilma, que tem foro por prerrogativa de função e não pode ser monitorada pela primeira instância da justiça. "A circunstância do diálogo ter por interlocutor autoridade com foro privilegiado não altera o quadro, pois o interceptado era o investigado [Lula] e não a autoridade, sendo a comunicação interceptada fortuitamente".

Entenda o caso Watergate

O jornal Washington Post noticiou, em 18 de junho de 1972, um assalto à sede do Comitê Nacional Democrata, na véspera, na capital norte-americana, Washington. Cinco pessoas foram flagradas tentando fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do partido.

Os repórteres Bob Woodward e Carls Bernstein continuaram investigando o assalto nos meses seguintes e conseguiram constatar ligações da Casa Branca – a sede do governo americano – ao assalto. Uma pessoa, conhecida apenas como "Garganta Profunda", havia informado que o então presidente Richard Nixon, do Partido Republicano, tinha conhecimento das operações.

Nixon foi eleito presidente pela primeira vez em 1968 e, na ocasião do assalto, disputava a presidência dos Estados Unidos com o senador democrata George McGovern. Nixon foi o terceiro presidente a ter que lidar com a Guerra do Vietnã, e mesmo com o desgaste político de manter uma guerra tão longa, venceu em 48 dos 50 estados. McGovern venceu em Massachussets e em Washington.

Nas investigações que se seguiram ao assalto, foram levantadas evidências de que um dos invasores tinha sido contratado e remunerado pelo comitê de campanha de Nixon . Em comissão de investigação no Senado, algumas fitas gravadas puderam comprovar que o presidente Nixon tinha conhecimento dos atos de espionagem do Partido Republicano contra seu adversário. Em 9 de agosto de 1974, Nixon renunciou à presidência. Seu vice, Gerald Ford, o substituiu e lhe deu uma anistia, perdoando as responsabilidades legais pelo fato.

A identidade de "Garganta Profunda" se tornou conhecida em 2005, quando o ex-vicepresidente do FBI (Agência Federal de Investigação, em português), William Mark Felt, revelou ser a fonte. A informação foi confirmada pelos repórteres que investigaram o caso.

Bob Woodward e Carls Bernstein escreveram um livro sobre o caso, chamado de Todos Os Homens do Presidente, que virou filme dois anos depois, sob a direção de Alan J. Pakula.

(com Portal EBC)

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