Via Láctea cresceu de dentro para fora, confirma estudo

Pesquisa comprova que estrelas surgiram antes e também concomitantemente à expansão de nossa galáxia

por Encontro Digital 29/03/2016 09:04

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Segundo estudo internacional, que contou com dois cientistas brasileiros, estrelas surgiram na Via Láctea antes mesmo da galáxia se expandir (foto: Pixabay)
As primeiras entre as centenas de bilhões de estrelas da Via Láctea – segundo as estimativas, existen entre 100 e 400 bilhões – podem ter começado a brilhar há 13 bilhões de anos, antes mesmo da formação completa da galáxia.

Esssa importante dedução foi possível graças ao mapa cronográfico das estrelas mais antigas da galáxia. O trabalho pioneiro mostra que a galáxia começou a formar estrelas de dentro para fora, ou seja, primeiro no núcleo, pipocando depois em direção à sua periferia, o halo galáctico.

O estudo internacional contou com a participação dos astrofísicos brasileiros Rafael Santucci, doutorando no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, e Vinícius Placco, professor na University of Notre Dame, nos Estados Unidos. Ele foi publicado no periódico científico The Astrophysical Journal Letters.

Para entender o significado da pesquisa é preciso imaginar o formato da Via Láctea. Trata-se de uma galáxia em espiral, cujos braços se esticam a partir do núcleo, formando um disco de 100 mil anos-luz de diâmetro. Em torno do núcleo galáctico, a densidade estelar, ou seja, a quantidade de estrelas próximas umas das outras, é grande.

É sabido que existam cerca de 150 aglomerados estelares orbitando a Via Láctea. Existem estrelas que foram parar no halo galáctico porque sua velocidade de escape fez com que se desgarrassem do disco principal.

E há igualmente aquelas que originalmente pertenciam a outras galáxias, pequenas, que acabaram canibalizadas pela Via Láctea há bilhões de anos. São estes dois últimos conjuntos de estrelas os alvos de investigação do trabalho recém-publicado. Mais especificamente, a pesquisa envolveu um tipo particular de estrelas do halo, as chamadas "estrelas azuis do ramo horizontal".

"São estrelas gigantes, em média dez vezes maiores que o Sol, que se encontram a caminho do fim da sua vida. Aquelas estrelas já passaram da sua fase jovem, quando queimavam hidrogênio. Estão agora na fase avançada, fundindo hélio e carbono", explica Rafael Santucci. Quando esse suprimento acabar, elas encolherão e se tornarão anãs brancas, que é o mesmo futuro do nosso Sol.

Com o mapa dos dois hemisférios (acima e abaixo do disco galáctico) da Via Láctea, foi possível descobrir o seguinte: as estrelas mais antigas se formaram antes ou concomitantemente "ao colapso gravitacional da imensa nuvem de gás que formou as estrelas do centro da Via Láctea", diz Santucci. "Nosso mapa mostra que os objetos mais próximos do centro da galáxia têm uma idade de cerca de 13 bilhões de anos", completa o astrofísico.

A partir de então, as estrelas continuaram se formando, em ordem cronológica do centro para fora. "Nosso estudo veio confirmar antigas teorias da evolução galáctica, que postulavam que as estrelas mais antigas teriam se formado no centro e as mais jovens progressivamente em direção ao halo. Ninguém tinha mostrado isto antes", comenta Santucci.

Como esse resultado surpreendente não foi antecipado, os autores estão escrevendo um novo artigo para submeter à revista Science. "Trata-se de um mapa muito maior e mais preciso, feito a partir de uma amostra com 100 mil estrelas", antecipa Rafael Santucci.

(com Agência Fapesp)

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