Zika vírus é mais perigoso no 1º trimestre de gestação

Essa é a constatação inicial de um estudo que vem sendo feito na Paraíba com mães que tiveram crianças com microcefalia

por Encontro Digital 07/04/2016 09:13

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Segundo estudo preliminar realizado na Paraíba com mães que foram infectadas pelo zika vírus, e com bebês que tiveram microcefalia, risco está no 1º trimestre de gestação (foto: Pixabay)
Estudo realizado na Paraíba mostra, preliminarmente, que mães que tiveram o zika vírus no primeiro trimestre da gestação apresentaram maior probabilidade de terem crianças com microcefalia. O Ministério da Saúde, em parceria com o governo da Paraíba e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças Transmissíveis (CDC) dos Estados Unidos, continua com a análise das amostras de sangue coletadas nas mães e bebês paraibanos. Somente após esta fase, os resultados finais serão divulgados. O resultado inicial do estudo, apresentado em João Pessoa (PB), também não encontrou nenhuma associação da microcefalia com a exposição de produtos como inseticidas, por exemplo.

"Faz parte deste estudo a investigação de pessoas que não foram acometidas pela microcefalia. Somente após o processamento das amostras de sangue coletadas, comparando os casos e os controles, é que poderemos estimar com mais clareza o risco de ser acometido pela doença e a relação do zika com a microcefalia", explica Eduardo Hage, assessor da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

A pesquisa, que começou no dia 22 de fevereiro, contou com a atuação de oito equipes das instituições envolvidas, que investigaram a proporção de recém-nascidos com microcefalia associada ao zika, além do risco da infecção pelo vírus, em 56 municípios da Paraíba. Ao todo, foram entrevistados 165 casos de mães que tiveram bebês com microcefalia e 446 de controle (mães e bebês da mesma região sem microcefalia). Entre os bebês, 52% são do sexo feminino e 48% do sexo masculino, na faixa-etária de 0 a 7 meses.

Em todo o Brasil, 4.046 casos suspeitos de microcefalia estão em investigação, de acordo com o boletim divulgado na terça, 5 de abril, pelo Ministério da Saúde. Desde o início das investigações, em outubro de 2015, até 2 de abril, foram 6.906 notificações em 1.307 municípios de todas as unidades da federação. Dos casos já concluídos, 1.814 já foram descartados e 1.046 foram confirmados para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita.

Destes, 170 já tiveram confirmação laboratorial para o vírus zika.  Nestes casos, foi realizado exame laboratorial específico para o vírus zika. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. Ou seja, a pasta considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.

Até o dia 2 de abril, foram registrados 227 óbitos (fetal ou neonatal) suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto). Destes, 51 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 148 continuam em investigação e 28 foram descartados.

(com Agência Fiocruz)

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