Meninos também devem vacinar contra o HPV?

Maior especialista do mundo em papilomavírus diz que é muito importante que o público masculino também seja imunizado contra a doença

por Da redação com assessorias 25/04/2016 10:46

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Austrália, Áustria, Israel, Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia já recomendam a vacinação do público masculino contra o HPV (foto: Pixabay)
Em sua passagem pelo Brasil, em fevereiro deste ano, Harald Zur Hausen, virologista premiado com o Nobel de Medicina de 2008, por ter descoberto a relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer do colo do útero, reafirmou a importância da vacinação de meninos contra o HPV. "Se vacinássemos somente os meninos, provavelmente preveniríamos mais casos de câncer do colo do útero do que imunizando somente meninas", diz o especialista.

A declaração acontece no momento em que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos divulgou, pela primeira vez, evidências do impacto positivo da imunização contra o HPV em meninas e em mulheres na faixa dos 20 anos nos EUA. O estudo, publicado na edição de março da revista científica Pediatrics, apontou queda de 64% na prevalência do vírus entre meninas de 14 a 19 anos e de 34% em mulheres com idades entre 20 e 24 anos, quando comparadas àquelas não protegidas.

A inclusão de meninos na estratégia de vacinação contra o HPV faz parte da pauta de políticas públicas de saúde pelo mundo. Em 2013, a Austrália foi o primeiro país a incluir os meninos na vacinação contra o HPV, mesmo obtendo altas taxas de cobertura na vacinação de meninas. Áustria, Israel, Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia também recomendam a vacinação de homens contra o papilomavírus. No Brasil, o debate sobre a importância da expansão da vacina para a população masculina está emergindo: em março de 2014, a prefeitura de Campos dos Goytacazes, município localizado no estado do Rio de Janeiro, passou a imunizar os pré-adolescentes na faixa etária de 11 a 13 anos, vacinando 12 mil meninos no primeiro ano. Taboão da Serra (SP) e Farroupilha (RS) foram outros municípios que também identificaram os benefícios de se incluir os meninos em suas campanhas de vacinação contra o HPV.

"Além dos homens ainda não serem vacinados contra o HPV pelo SUS, não existe uma política pública de saúde robusta que promova rastreamento capaz de detectar precocemente as lesões causadas pelo vírus. Dessa maneira, os homens ficam especialmente vulneráveis às doenças causadas pelo papilomavírus humano e, consequentemente, a diversos tipos de câncer como, por exemplo, os que acometem o pênis, ânus, cabeça e pescoço", afirma Mauro Romero, ginecologista, professor da Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro.

Além dos cânceres causados pelo HPV nos homens, estima-se que, anualmente, por volta de 1,9 milhão de casos de verrugas anogenitais ocorram no Brasil, sendo cerca de 90% associados aos tipos de papilomavírus cuja proteção pode ser obtida pela vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde.

O HPV é extremamente contagioso, pois a infecção acontece pelo contato com a pele e mucosas. Por isso, os métodos preventivos de barreira, como a camisinha, não são completamente eficientes. Assim, a vacinação de meninos e meninas e de homens e mulheres faz parte da educação em saúde junto com os métodos de prevenção, inclusive para aqueles imunizados contra o HPV.

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