Centenária, biblioteca da Funed chama atenção com seu acervo de 75 mil exemplares

Inaugurada em 1907, ela acumula informações científicas valiosas sobre a história da saúde pública em Minas Gerais

por Encontro Digital 04/05/2016 15:50

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Funed/Divulgação
A biblioteca da Funed foi inaugurada em 1907, que mais tarde se tronou o Serviço de Informação Científica, Histórica e Cultural (foto: Funed/Divulgação)
Em mais de 100 anos de existência, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) acumulou informações valiosas a respeito da história da saúde pública de Minas Gerais. Desde 1907, quando foi inaugurada em Belo Horizonte, por Ezequiel Caetano Dias, a filial do Instituto Manguinhos do Rio de Janeiro (atual Funed), conta com uma biblioteca que foi transformada no Serviço de Informação Científica, Histórica e Cultural e reúne uma coleção de mais de 75 mil volumes e peças históricas com informação científica e cultural.

Com um riquíssimo acervo na área biomédica e montada numa estrutura de ferro, na arquitetura de um mezanino da década de 1930, a biblioteca da Fundação Ezequiel Dias está aberta ao público, principalmente para pesquisadores e estudantes que estão à procura de compreender o desenvolvimento histórico da ciência e o progresso científico da saúde pública no Brasil e no mundo.

De acordo com Esther Margarida Bastos, diretora de Pesquisa e Informação da Funed, o acervo é de suma relevância histórica para Minas Gerais. "A biblioteca é importante acervo da memória institucional e da memória dos estudos científicos desenvolvidos na Funed ao longo de seus 108 anos. Para a área médica, já foi a principal biblioteca do Brasil, sendo hoje fonte de informações históricas da saúde pública brasileira", afirma a diretora.

Os usuários, entre pesquisadores, técnicos de laboratório de nível médio e superior, bioquímicos, médicos, biólogos, veterinários, químicos, historiadores e o público em geral têm livre acesso ao acervo. "Costumo usar a biblioteca no acervo da videoteca para pegar filmes clássicos, antigos, que geralmente não existem nas locadoras comuns. Além disso, é possível encontrar todos os tipos de filmes. O espaço está sempre atualizado com novas obras do cinema contemporâneo. Vou lá cerca de duas vezes por semana, também utilizo o acervo para recorrer à parte de fotografias antigas, relacionadas ao meu trabalho", comenta Gleisson Mateus, publicitário, 30 anos, frequentador da biblioteca.

Ocupando duas alas do prédio central da Funed, numa área de cerca de 300 m², com acesso por duas portas e um corredor central, a biblioteca, hoje, atende cerca de 150 pessoas diariamente. O funcionamento é de segunda a sexta das 7h30 às 16h, na rua Conde Pereira Carneiro 80, no bairro Gameleira.

Acervo

O acervo de livros e periódicos é constituído, principalmente, por grandes clássicos sobre a saúde pública mundial. Com obras raras e antigas, o local guarda assuntos nas áreas de biologia, bioquímica, ciência e tecnologia de alimentos, controle de qualidade, cultura de células, epidemiologia, imunologia, parasitologia, produção de imunobiológicos e farmacêutica, síntese de fármacos e química fina, virologia.

A biblioteca oferece os principais livros de ciência básica e os grandes tratados de Microbiologia, Anatomia, Histologia, Zoologia e Botânica, como os 10 volumes da Flora Brasiliense de Von Martius (1871 – 1879), a coleção completa de Hipócrates (1839 – 1861), traduzida por Litré, além dos periódicos nacionais como o Brasil Médico (1899 – 1965), a Revista Médica de Minas (década de 1930), o períodico Instituto Histórico e Geográfico (1839 – 1939), Dicionário e Gramática do Tupi-Guarani (1876), entre outros com relevência nacional e internacional.

História

A biblioteca funcionou por anos como a única no estado com tamanho acervo científico, cerca de 20 mil volumes. Durante esse período, todos os estudantes, professores e pesquisadores da área médica recorriam à biblioteca do instituto, pois a biblioteca da Faculdade de Medicina foi criada após 1911.

Sendo Belo Horizonte uma cidade moderna e em fase de crescimento, a biblioteca da Funed era um dos poucos lugares onde a ciência, a pesquisa e a informação científica se encontravam. Os "saraus" realizados todas as quintas-feiras eram o momento para discutir e comentar os artigos recém-chegados.

Mesmo com a morte de Ezequiel Dias em 1922 e a vinda de Octávio Magalhães para a direção, o instituto manteve o investimento na biblioteca e no museu. Magalhães ficou na direção até 1940, época em que o governo Vargas fez uma reforma estrutural na instituição, que passou a se chamar Instituto Químico Biológico de Minas Gerais, dedicando-se apenas à produção fabril de fármacos e produtos imunobiológicos com inexpressiva atividade cultural e científica.

(com Agência Minas)

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