Por que o transplante de útero é tão problemático?

Especialista esclarece os problemas desse procedimento moderno

por João Paulo Martins 20/05/2016 14:13

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De acordo com o especialista, o transplante de útero ainda é um procedimento novo e deve ser aperfeiçoado ao longo do tempo (foto: Pixabay)
O primeiro transplante de útero dos Estados Unidos acabou não dando certo. Algumas semanas após o procedimento, que durou nove horas e foi realizado no estado de Cleveland, no dia 25 de fevereiro deste ano, a paciente precisou retornar ao hospital para a retirada do órgão. Os médicos não divulgaram maiores detalhes sobre o motivo que os levou a desfazer o transplante, mas, em nota enviada à imprensa, informaram que "foram tomadas todas as medidas necessárias para garantir a saúde da paciente".

Afinal, por que o transplante de útero parece ser tão problemático? Até hoje, já foram realizados 12 procedimentos desse tipo em todo o mundo, e cinco deles não foram bem sucedidos. Segundo Alexander Maskin, professor de cirurgia do Centro Médico da Universidade de Nebrasca, nos Estados Unidos, em entrevista ao site Live Science, um transplante de útero pode dar errado devido a diversos fatores, como a rejeição do órgão pelo corpo receptor (o sistema imunológico ataca o tecido "estranho"); algum tipo de infecção; ou problemas ligados à irrigação sanguínea. Neste caso, de acordo com o especialista, um coágulo pode se formar e interromper o fluxo de sangue até o útero.

No ano 2000, uma mulher que recebeu um útero transplantado na Arábia Saudita precisou remover o órgão apenas três meses após a operação. No caso da mulher saudita, o útero se deteriorou devido a um coágulo que não deixou o sangue fluir para o órgão. Outra transplantada, desta vez na Turquia, em 2011, recebeu o útero de uma doadora falecida, e foi capaz até de engravidar. Porém, acabou perdendo a criança. Agora, recentemente, na Suécia, médicos realizaram nove procedimentos e dois deles deram errado. A diferença é que em cinco suecas que receberam o útero transplantado, a gravidez e o parto transcorreram normalmente.

No exemplo sueco, todos os úteros forma provenientes de doadoras vivas. Isso levantou a hipótese de que o uso do órgão retirado de uma mulher morta poderia trazer problemas. Mas, Alexander Maskin esclarece que apenas dois transplantes, até hoje, foram feitos com úteros retirados de pacientes mortas e, portanto, ainda é cedo para especular. O médico lembra ainda que o procedimento é novo e deve ser aperfeiçoado com o tempo. "Há 30 anos, o transplante de rim levava até 10 horas para ser finalizado e, agora, dura apenas uma hora e meia", comenta o especialista.

(com Live Science)

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