UFMG cria vacina para impedir que cães infectados transmitam leishmaniose e sejam sacrificados

A imunização dos animais pode representar o fim da polêmica eutanásia dos cachorros doentes

por Encontro Digital 03/06/2016 09:32

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A vacina contra a leishmaniose visceral que está sendo pesquisada na UFMG já está em fase de testes em animais e pode representar o fim da eutanásia de cães infectados (foto: Pixabay)
A eutanásia de cães infectados ainda é um dos procedimentos que compõem a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para evitar a transmissão da leishmaniose visceral canina. Mas, essa prática polêmica pode estar com os dias contados. Uma vacina está sendo desenvolvida pelo Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG e pode representar a preservação da vida desses animais, uma vez que os torna incapazes de transmitir o protozoário causador da doença. O estudo é coordenado pelo médico veterinário Rodolfo Cordeiro Giunchetti, professor do departamento de Morfologia do ICB.

O estudo, pioneiro no mundo, utiliza proteína do próprio inseto flebótomo que transmite o protozoário, para interferir no seu ciclo biológico. Desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz/MG), a formulação busca causar desequilíbrio no inseto, induzindo à diminuição do número de ovos e bloqueando a infecção em seu organismo, de modo a evitar que ele leve a outros hospedeiros o parasito Leishmania chagasi.

A intenção é que, ao se alimentar do sangue de um cão que esteja imunizado por essa vacina, o flebótomo ingira – além do próprio sangue e do parasita – anticorpos contra suas próprias proteínas. "Assim, mesmo doente, o cão com leishmaniose visceral não teria importância na transmissão desse protozoário e poderia ser submetido ao tratamento, sem causar impacto para a saúde pública", esclarece Rodolfo Giunchetti.

Por ser uma abordagem inédita, a pesquisa precisou passar pela chamada prova de conceito, constituída, neste caso, de testes que confirmem a hipótese de que as proteínas do inseto são capazes de bloquear a infecção causada pelo protozoário da leishmaniose visceral. A primeira etapa foi realizada em camundongos. "Tivemos a grata surpresa de perceber que os insetos alimentados no grupo de camundongos imunizados põem número de ovos significativamente menor do que quando se alimentam no grupo controle, que recebeu placebo", conta o professor.

Em etapa posterior, a equipe coordenada por Rodolfo Giunchetti realizou testes com cães. "Estamos terminando a prova de conceito", informa o médico veterinário. Os experimentos em andamento revelaram indícios de que a infecção não se estabelece no trato digestório do inseto que se alimenta com o sangue de um animal imunizado.

"Isso mimetiza o estado do animal doente que foi vacinado. Ele produz anticorpos que atacam o funcionamento dos mecanismos biológicos do inseto e inibem etapas de seu desenvolvimento e a infecção pelo protozoário no próprio inseto vetor", explica o professor. Segundo ele, após a ingestão do sangue, o parasita não se desenvolveria no inseto, sendo eliminado. "Assim, esse inseto não se torna infectante. Já temos evidências de que isso vai funcionar", enfatiza o pesquisador.

(com Boletim da UFMG)

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