Desenvolvido na USP um sensor que pode indicar se a pessoa tem predisposição ao câncer

O biossensor é capaz de analisar o DNA do paciente e verificar se há anomalias que podem levar ao surgimento da doença

por Encontro Digital 06/01/2017 11:08

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Pesquisadora da USP criou um biossensor capaz de analisar o DNA e descobrir se existe alguma anomalia que pode levar ao surgimento de câncer no paciente (foto: Pixabay)
Um biossensor é um sensor eletroquímico que funciona com bases biológicas: enzimas, anticorpos, proteínas, DNA, entre outros. Um biossensor à base de anticorpos, por exemplo, reconheceria alguma mudança no sistema imunológico do paciente, ou seja, se o sensor está preparado para identificar a presença de anticorpos contra o vírus da gripe e o corpo do paciente começa a produzir esses elementos, isso gera uma resposta no sensor, que aponta a presença do patógeno. O biossensor mais conhecido é o utilizado em pacientes com diabete para medir a quantidade de açúcar no sangue.

Já o biossensor criado no Instituto de Física de São Carlos da USP, pela pesquisadora Laís Ribovski, funciona à base de DNA. Ela buscou desenvolver um sensor para detectar a predisposição de pacientes ao surgimento dos cânceres de mama e ovário.

O dispositivo, já testado com amostras sintéticas de DNA, pretende identificar a presença de mutação específica dos cânceres de mama e ovário.

Como esclarece Laís Ribovski, esse é um biossensor de detecção de predisposição e não um diagnóstico da doença. O que significa apenas que a pessoa tem a mutação em seu gene e pode, em algum momento da vida, desenvolver o câncer. O diagnóstico deve ser feito por um médico.

Angelina Jolie

Um caso famoso de detecção de predisposição ao câncer é o da atriz Angelina Jolie. Em 2013, a norte-americana se submeteu a uma mastectomia para a retirada das duas mamas, pois foi descoberto um risco de 87% de se desenvolver um câncer na região. Em 2015, ela decidiu retirar os ovários, pois as chances de neoplasia nesse órgão eram de 50%. A pesquisadora da USP conta que esse episódio foi um dos motivadores para a sua pesquisa. "O teste que ela fez é baseado em sequenciamento genético. É um teste um pouco mais complicado e demanda um pouco mais de mão de obra especializada do que estamos propondo. O nosso ainda exige um certo tratamento da amostra, que não pode ser feito por um leigo, mas também não requer um treinamento tão complicado", completa Laís.

Todos os testes feitos com o biossensor, até agora, foram com amostras sintéticas de DNA pois, para a utilização de amostras reais, é necessário a aprovação do conselho de ética. Além disso, para realizar o teste em amostras reais é preciso que as pessoas envolvidas já tenham feito o sequenciamento genético que identifica a mutação em questão. Somente após a realização de testes, mediante aprovação do conselho de ética, é que o dispositivo poderá passar pelos testes de qualidade de entidades como Anvisa e Inmetro.

(com Jornal da USP)

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