Tratamento de canal bem feito evita problemas futuros para o paciente, como no caso de Renata Banhara

A modelo teria adquirido uma infecção no cérebro em virtude de um tratamento de canal antigo

por Da redação com assessorias 17/04/2017 15:06

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O especialista esclarece que infecções em outras partes do corpo, decorrentes de tratamentos de dente mal feitos, são muito raras, mas, podem acontecer (foto: Pixabay)
Bastante noticiado na mídia, o caso da modelo Renata Banhara, que recentemente foi submetida a duas cirurgias no cérebro no hospital Albert Einstein, em São Paulo, por conta de uma infecção que aparentemente teve início em um dente, reacende a importância de fazer check-ups regulares com um cirurgião-dentista. Em vídeo divulgado durante a internação, Banhara conta que fez um tratamento de canal há alguns anos e que, apesar de o procedimento ter sido realizado com sucesso, acabou formando uma infecção assintomática com o passar do tempo. Essa infecção teria se alastrado pelos ossos da face até chegar no cérebro.

De acordo com Manoel Machado, professor convidado da Faculdade de Odontologia da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, casos como o de Renata Banhara são raros, mas levantam uma questão importante: a relação existente entre problemas bucais e doenças que atingem outros órgãos – muitas vezes, vitais. "Há estudos que demonstram a presença de lesões ou problemas cardíacos de origem dental. Outros revelam maior índice de aterosclerose em pacientes portadores de infecções dentais crônicas. Também há casos de AVC [Acidente Vascular Cerebral] relacionados a bactérias da cavidade oral. Enfim, é preciso destacar que o cirurgião-dentista atua justamente com procedimentos de combate à infecção e, até por isso, sua presença é fundamental em ambientes hospitalares", esclarece o especialista.

 Manoel Machado afirma que o cirurgião-dentista especializado em tratamento de canal (endodontista) alcança alto grau de sucesso clínico, chegando a 92%. "Determinadas situações clínicas podem facilitar a infecção do sistema de canais radiculares e da própria região apical. Nestes casos, pode ser observada a formação de uma lesão de crescimento lento, gradual e assintomática, que, muitas vezes, pode resistir ao mecanismo imunológico e ao tratamento endodôntico convencional. Embora raras, essas lesões podem agravar o estado do paciente. Prevenção, neste caso, é palavra-chave. É fundamental fazer uma manutenção periódica, principalmente daqueles dentes que sofreram restaurações profundas, tratamentos endodônticos ou periodontais", complementa o professor.

No tratamento endodôntico, o especialista explica que é necessário realizar o isolamento absoluto do dente em questão para impedir que a saliva ou qualquer bactéria da cavidade oral penetre no sistema de canais radiculares. "A restauração dental deve ser realizada o mais rápido possível, a fim de blindar e manter a desinfecção. Esse é o ponto de partida para a recuperação do paciente", diz Manoel Machado.

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