O motor da Filarmônica

Fabio Mechetti está à frente da orquestra mineira, que é responsável por aumentar o acesso à música erudita no estado e está se tornando referência no país e no mundo

por Agência Minas 05/06/2013 11:42

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Eugenio Sávio/Divulgação
(foto: Eugenio Sávio/Divulgação)
O regente paulistano Fabio Mechetti, de 55 anos, é o principal responsável por colocar Minas Gerais no mapa da música erudita nacional e internacional. Sob sua batuta, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, apenas cinco anos após sua fundação, estreou sua primeira turnê internacional na Argentina e no Uruguai no ano passado. Ao todo, foram realizados cinco concertos, alguns com ingressos esgotados, que ganharam grande repercussão na América Latina.

O nome de Mechetti é um dos mais citados em apresentações no exterior como maestro convidado atualmente. Sua relação com o cenário da música erudita internacional é antiga. Desde 1981, Mechetti se dedica a reger sinfônicas nos Estados Unidos, em especial a Orquestra Sinfônica de Jacksonville.

Em 2008, o maestro aceitou dividir seu tempo entre a orquestra americana e a mineira. Para Minas Gerais, o paulistano trouxe toda a sua bagagem internacional e a capacidade de gestão que lhe é peculiar, ingredientes fundamentais que transformaram a cena da música erudita no Estado.

De contrato renovado até 2017, o regente quer elevar a orquestra filarmônica a um novo patamar de excelência. Em entrevista à Agência Minas, Mechetti fala sobre a receptividade do público, os planos para 2013 e o apoio do governo do estado.

Rafael Motta/Divulgação
Fabio Mechetti (centro) é o regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (foto: Rafael Motta/Divulgação)


Quais são os motivos que levaram a este reconhecimento da orquestra filarmônica no cenário da música clássica?

Não é milagre. É a somatória de várias coisas que deram certo. Primeiro, a vontade política e o continuado apoio do governo do estado em se ter uma orquestra de excelência. Segundo, a confiança em se adotar uma diretriz artística consistente sem desvirtuar de uma ideia original que está sendo, pouco a pouco, realizada. Isso, aliado a um modelo de gestão que permite a flexibilidade e a constante busca de qualidade, que é nosso objetivo maior. Nada disso seria possível, entretanto, não fosse a qualidade e a dedicação de nossos músicos que sabem que estão fazendo música e história.

Há diferenças entre reger uma orquestra no Brasil e nos Estados Unidos?

Do ponto de vista técnico, nenhuma. Do ponto de vista de modelo de gestão e de prioridade de foco, total. Nos EUA, as instituições culturais são absolutamente privadas, com as vantagens e desvantagens associadas ao sistema. No Brasil, especialmente no modelo adotado pela Filarmônica, há uma nova proposta que acredito aproveitar aquilo que é bom, e rejeitar aquilo que não é, tanto do modelo americano quanto do modelo estatal associado às orquestras europeias e latino-americanas em geral. Acredito muito no modelo adotado aqui e acho que temos tudo para vendê-lo ao resto do mundo, inclusive aos EUA, como uma solução para a crise constante que orquestras e outras instituições culturais passam.

Como tem sido a aceitação da orquestra pelo público?

Em BH fomos "adotados" imediatamente por um público entusiasmado, comprometido com a nossa causa e vibrante a cada espetáculo. Temos hoje mais do que o triplo de assinantes que tínhamos há quatro anos e, certamente, mais virão com a construção da Sala de Concertos Minas Gerais. No Brasil sempre fomos recebidos com grande entusiasmo. Primeiramente, pela surpresa que causamos quando começamos. Agora, pela crescente demonstração de sucesso alcançado.

Como é apresentar-se no interior, para público que não está acostumado com grandes espetáculos de música erudita?

Uma das experiências mais marcantes que eu tive na minha vida profissional foi um concerto realizado em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, para um público estimado em duas mil pessoas, praticamente um terço da população. Após o concerto, numa noite estrelada e fria, centenas de pessoas esperaram em fila para agradecer aos músicos e a mim pela presença naquela cidade. Ao cumprimentar as pessoas, muitas delas com mãos calejadas pela enxada e pele ressecada pelo sol, e ao ver seus olhos expressando lágrimas de felicidade, sentimos de perto o que a música representa na vida das pessoas, mesmo as mais humildes, e quão importante é o investimento que se faz em instrumentos culturais de excelência como a filarmônica.

Quais são as expectativas e planos para a orquestra em 2013?

O ano de 2013 está a todo o vapor, com recordes de vendas de assinaturas e de público em geral. Estaremos presentes no festival de Campos do Jordão e de Juiz de Fora, assim como nas séries de concertos em Paulínia e na da Osesp, com uma semana de concertos na Sala São Paulo. Além disso, acabamos de gravar nosso segundo CD com obras de Villa-Lobos para o selo Naxos, o mais importante no campo da música clássica internacional.

Qual é a expectativa para 2015, quando for entregue a Sala Minas Gerais?

Ela certamente será um divisor de águas. Primeiramente, porque a filarmônica poderá, pela primeira vez em sua história, ensaiar e tocar os concertos no mesmo espaço. Poderá também construir uma agenda de concertos mais racional, ampla e diversificada, aproximando-se ainda mais do público mineiro. Além da qualidade acústica que todos almejamos, a Sala Minas Gerais passará a ser um novo polo de produção cultural na cidade e no estado e gerará inúmeros benefícios para todos nós. Planos para ela não nos faltam.

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