FAN presta homenagem às mulheres

Em sua 7ª edição, o universo feminino surge como foco de várias expressões artísticas, como música e gastronomia

por Da redação com Ascom/PBH 21/10/2013 15:06

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Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
O multiartista Maurício Tizumba é o diretor artístico do FAN (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Belo Horizonte se transforma neste mês na capital da arte e da cultura negra. Entre terça, dia 22, e domingo, dia 27, a cidade recebe a 7ª edição do Festival de Arte Negra (FAN), um dos maiores festivais dedicados à arte e à cultura negra fora do continente africano. “Depois de acompanhar de perto todas as edições do FAN, era o momento de trabalhar de dentro para fora, não perdendo as referências internacionais que fazem parte de sua história, continuando a promover o intercâmbio cultural entre países, mas valorizando os talentos locais e regionais que sempre foram a base do festival”, diz Maurício Tizumba, diretor artístico desta edição do FAN.

O tema deste ano é Um Lugar no Mundo: Afroamérica, e segundo a organização, foi pensado como reflexão sobre os espaços do negro no mundo, em todas as suas dimensões – social, regional, internacional e geopolítica –, apontando as discussões para além da mera localização espacial. “Isso é um reflexo natural das diásporas. O negro saiu da África e tomou diferentes caminhos. Aqueles que chegaram por aqui construíram sua própria história”, explica Rui Moreira, coordenador das artes cênicas desta edição do FAN. Segundo ele, a proposta é compreender a ocupação pelo viés da expansão territorial, diferente do contexto da escravidão, apresentando a cultura africana como constituinte da modernidade e não como vítima dessa evolução social. “No Brasil, por exemplo, a metalurgia foi amplamente influenciada pelo conhecimento que o negro tinha dessa técnica. O Barroco, ponto alto da civilização brasileira, contou com negros em todos os setores, de arquitetos a pedreiros, passando pelos artistas, entre eles, nosso grande mestre Aleijadinho”, completa Ricardo Aleixo, coordenador geral e da área de literatura que compõe a programação.

O conceito do "ser feminino" é outro ponto de destaque na programação do evento. Seja na moda, com a realização da 1ª Mostra Brasil Afro-Moda, seja na música, com o show Cantoras, composto integralmente por 12 mulheres intérpretes e instrumentistas. Além disso, o universo feminino aparece na gastronomia, com a guardiã da cozinha, a Yabassé, Mametu Mukamba ou Vodunsi Ponsilè, aquela que “muito faz e pouco fala”, e nas artes plásticas, com a mostra instalação Deumlugarnomundo, que convida dez artistas a representarem as mulheres nos mais diversos suportes.

“O papel da mulher é central na cultura africana. O candomblé, com suas mulheres poderosas e guerreiras, representa bem isso, ao contrário da cultura branca ocidental. A necessidade de cotas de gênero nos partidos políticos que nunca são preenchidas por falta de candidatas é um claro exemplo do longo caminho a percorrer e, consequentemente, da necessidade de se falar sobre o assunto”, afirma Ricardo Aleixo.

As atrações gratuitas do 7º FAN incluem artistas representantes de diversas nacionalidades, incluindo brasileiros, africanos, argentinos e mexicanos, dos mais diferenciados segmentos culturais, como música, moda, literatura, artes cênicas, artes plásticas e manifestações populares. Locais como o Circuito Praça da Estação, a Funarte, o Iphan, o CentoeQuatro, além dos centros culturais da Fundação Municipal de Cultura receberão trabalhos artísticos e discussões temáticas que vão transformar a capital mineira em um dos grandes polos de produção, difusão, contextualização e análise da arte negra na atualidade.

Confira a programação completa do evento pelo site www.fanbh.com.br

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