Desfiles de blocos na Afonso Pena recupera tradição de rua de BH

Mais de mil integrantes de nove blocos caricatos vão desfilar na avenida, na segunda-feira, trazendo de volta uma marca registrada da folia belo-horizontina

por Ascom PBH 28/02/2014 11:47

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Belotur/Divulgação
Bloco Inocentes de Santa Tereza é um dos mais tradicionais de BH e vai desfilar na av. Afonso Pena na segunda-feira de carnaval (foto: Belotur/Divulgação)
Na segunda-feira, dia 3 de março, a partir das 19h, os blocos caricatos vão desfilar na avenida Afonso Pena. Os temas deste ano viajam pelo rio Nilo, no Egito antigo, relembram mitos e ícones da cultura nordestina, exaltam o festival de Parintins, destacam a escola integral em Belo Horizonte, celebram o congado de Chico Rei e homenageiam a Praça da Estação, um dos símbolos da capital.

São nove blocos caricatos, que variam entre 80 integrantes (Aflitos do Anchieta) e 250 (Por Acaso), que apresentam suas fantasias e contam histórias fantásticas e delirantes em um desfile com duração prevista de seis horas. Ao todo, são mais de mil e trezentas pessoas com muita disposição para disputar o carnaval de BH.

Marca registrada da folia belo-horizontina, os blocos caricatos estão ligados à origem do carnaval na cidade, em suas primeiras manifestações ocorridas ainda no final do século XIX. “Há uma estreita relação de conformação entre os blocos caricatos e as escolas de samba, como bateria, proposição do desfile, apresentação e a dimensão comunitária e associativa. Não conheço configuração semelhante em outras cidades”, diz o antropólogo Rafael Barros, membro do centro de estudos da religião Pierre Sanchis, da UFMG.

Antes da criação das escolas de samba, nas décadas de 1920 e 1930, os blocos caricatos já percorriam as ruas e avenidas de Belo Horizonte. Registros históricos indicam a primeira manifestação pouco depois da inauguração da capital mineira. Para alguns pesquisadores, em 1897, para outros, 1899 quando operários responsáveis pela construção de BH enfeitaram carroças, se vestiram de mulheres, pintaram as caras e desfilaram batendo latas e tambores.

A região do desfile também é objeto de discussão. Alguns indicam as imediações da Praça da Liberdade e outros, a Praça da Estação. O fato é que a iniciativa dos primeiros operários deu origem ao corso, desfile em carros abertos enfeitados com foliões finamente fantasiados e aos blocos caricatos.

Na relação de blocos caricatos existentes somente na memória de antigos foliões estão o Domésticas de Lourdes, Bocas Brancas da Floresta, Imigrantes da Abissínia, Carrascos da Pedro Segundo, Satã e seus Asseclas e Leões da Lagoinha.  Em comum, o uso de caminhões para abrigar a bateria, músicos com a cara pintada e homens travestidos de mulheres.

O pesquisador Rafael Barros identifica uma diferenciação no Carnaval entre as camadas sociais. Enquanto as mais populares realizavam sua folia nas ruas, com desfile de blocos carnavalescos, as mais abastadas festejavam Momo em bailes particulares. Com o passar dos anos, as manifestações se misturaram, surgiram batalhas de confete, realizadas nas ruas pelas famílias ricas, e os bailes populares em quadras esportivas e espaços públicos.

Na avaliação de Rafael, até agora, a melhor época dos desfiles em BH foi nas décadas de 1970 e 1980. “Nesta época a cidade tinha o maior desfile do país em termos de movimentação e de opulência. Tinha escola com dois mil integrantes. Era luxo e glamour e uma grande mobilização do corpo comunitário. Tinha apelo popular, público na Afonso Pena e muitos puxadores de samba do Rio, como Neguinho da Beija Flor, reforçavam o desfile aqui”, comenta.

Os números registrados pela Belotur reforçam essa opinião. Em 1981, 17 escolas de samba e 12 blocos caricatos se apresentaram para um público de 170 mil pessoas. O número de expectadores dobrou em 1984, com 300 mil pessoas e o ano de 1985 registrou a participação de 23 blocos caricatos.  
 
Os blocos caricatos de 2014:
 
  • Estivadores do Havaí (19h às 19h40) - Fundado em 12 de julho de 1984 pelo sambista Jorge Mangabeira, o Jorjão, se apresenta com 160 integrantes em três alas, duas alegorias e cinco destaques de chão. Leva à avenida a mitologia, a riqueza e os mistérios do Egito antigo com o samba enredo “Estivadores Invadindo o Egito”, de Juólison Mangabeira. É a quinta vez que o bloco desfila.

  • Corsários do Samba (19h40 às 20h20) - Surgiu em 1961 e é o mais antigo em atividade no Carnaval de BH. Nunca deixou de sair às ruas, mesmo quando não houve desfile oficial na cidade. É um bloco feito por famílias para brincar com o público. O bloco vem com o samba enredo “Baile de Fantasias”, do compositor Serginho Beagá, e seus 90 integrantes apresentam fantasias de salão dos antigos gritos e bailes de Carnaval. O grupo distribui balas para o público.

  • Acadêmicos da Vila Estrela (20h20 às 21h) - Criado por Alvimar Nery em 2 de agosto de 2011, na Vila Estrela, no Aglomerado Santa Lúcia, o bloco foi o campeão do grupo B do Carnaval de 2013. Vai mostrar o samba enredo “A Terra do Sol Ardente a Vila Estrela vem Cantar”, de Mário Emílio Mora e Marcelo Roxo, e tem 200 integrantes que vão homenagear a cultura nordestina.

  • Inocentes de Santa Tereza (21h às 21h40) - Fundado em 1973 por amigos do bairro Santa Tereza, tem 180 integrantes, divididos em nove alas, que vão trazer uma sala de aula para a avenida. Tem ala da capoeira, do hip-hop e percussão, boa parte delas formada por alunos de escolas municipais. O samba enredo “Os Inocentes na Escola Integral”, de Gugu de Souza, conta a trajetória do projeto, criado em 2006 pela Prefeitura de Belo Horizonte. O bloco foi campeão cinco vezes, de 1976 a 1980.

  • Academia do Samba Por Acaso (21h40 às 22h20) - Criado em 19 de fevereiro de 2008, entra na avenida com 250 integrantes e, além dos passistas, tem um caminhão com a bateria. Conquistou o campeonato de 2010 a 2013. Neste ano homenageia a Praça Rui Barbosa, a popular Praça da Estação. O samba enredo “No Carnaval da Emoção o Por Acaso é a Praça da Estação” é de Wanderley Por Acaso.

  • Mulatos do Samba (22h20 às 23h) - Fundado em 23 de maio de 2008, reúne integrantes dos antigos blocos Mulatos de Carlos Prates e Demônios do Santo André. Vai para a avenida com 140 integrantes divididos em quatro alas, além da comissão de frente e do caminhão com a bateria. Foi campeão em 2009 e com o enredo “Egito, um presente do Rio Nilo”, uma história de faraós e seus deuses pelo coração do Carnaval de BH.

  • Bacharéis do Samba (23h às 23h40) - Fundado em 1º de dezembro de 1965, é composto por integrantes do bairro São Pedro, do Morro do Papagaio e das vilas Estrela e Santa Rita. Conquistou o campeonato em 2007 e 2008. Em 2014, homenageia o Congado de Chico Rei, com o samba enredo “Bacharéis no Congado”, de Mario da Viola, Marcelo Boy, Oscar Souza e Jorginho do Cavaco. São 140 integrantes do bloco, entre passistas, ritmistas, abre alas, velha guarda e ala infantil.

  • Aflitos do Anchieta (23h40 às 0h20) - Criado em 15 de novembro de 1965 por sete garotos, apreciadores de batucada, mas que em função da pouca idade eram impedidos de participar do desfile dos adultos. Foi campeão do Carnaval em 1983 e em 1984. Em 2014, seus 80 integrantes, divididos em duas alas e com dois destaques, apresentam o enredo “Os Aflitos viajando para Parintins”. A proposta é exaltar a beleza, a riqueza e a necessidade de preservação da cultura indígena.

  • Infiltrados de Santa Tereza - (0h20 a 1h) - Fundado em 15 de outubro de 2009 por moradores da comunidade Vila Dias, no bairro Santa Tereza, obteve o primeiro lugar do grupo B em 2011. Este ano, os 90 integrantes, divididos em quatro alas (forrozeiros, infantil, velha guarda e retirantes) contam a história de Gonzagão. O  samba enredo “Gonzagão brilha no céu”, de Lado Raízes, é uma homenagem a Luiz Gonzaga.

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